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Abrigados perdem laços familiares

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

“Meu pai é alto como o ‘seo’ Paiva (referindo se a Sebastião Paiva, presidente da Sociedade Beneficente Cristã). Eu queria ver ele”. O relato de Rosa Maria Antônia, portadora de deficiência mental atendida no Abrigo para Idoso e Deficientes da Sociedade Beneficente Cristã é um entre muitos de idosos e deficientes que há anos buscam reencontrar suas famílias.

Essa difícil tarefa faz parte do cotidiano da entidade que atende em Bauru 230 idosos e deficientes mentais que perderam contato com seus parentes.

São pessoas que foram internadas por problemas mentais e submetidas a tratamentos psiquiátricos e que, mesmo após terem alta médica, continuam recebendo assistência da entidade por falta de vínculos familiares.

Felizmente, esta semana, o Abrigo para Idosos da Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva) registrou um caso com final feliz. Zélia Esquezardi Pinto, 74 anos, portadora de esquizofrenia, não tinha notícias de sua família há 42 anos e teve, ontem, a oportunidade de voltar para casa.

Mas a maior parte dos casos acompanhados pela entidade não terminam em sucesso. De acordo com a assistente social Ana Paula Cardia Soubhia, o abrigo assiste pessoas que estão há até 30 anos na instituição.

“A gente tem muitos casos de pessoas que eram do Hospital Psiquiátrico e que vieram para o abrigo por não ter retaguarda familiar - não ter informação nenhuma sobre a família”, expõe.

Das 230 idosos assistidos atualmente pelo abrigo da Sociedade Beneficente Cristã, apenas 106 têm informações sobre as respectivas famílias. “A maioria delas a gente não tem nem por onde começar a procurar”, lamenta a assistente social.

Rosa Maria Antônia vive desde 1964 na Sociedade Beneficente Paiva e ainda tem esperanças de encontrar a família. As dificuldades são muitas, de acordo com Ana Paula. A portadora de deficiência mental aparenta ter 60 anos, mas a entidade desconhece registros de sua data de nascimento e de sua família.

A assistente social da sociedade colhe informações que ela fornece, como o nome de todos os irmãos - Dito, Cora, Leno, Cida, Joana etc -, genros e até mesmo sobrinhos. “Ela sempre fala que sua irmã morava perto do Jóquei Clube, mas não conseguimos descobrir mais nada. Em alguns casos, certamente a gente não vai conseguir encontrar a família”, acredita Ana Paula.

Ela destaca a importância da convivência familiar para os idosos e deficientes da sociedade. “A família é referência muito forte para qualquer indivíduo e é essencial nesse processo de recuperação”, afirma.

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