Tribuna do Leitor

Sobre a partidarização dos movimentos sociais e a liberdade de expressão


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Face à veiculação neste JC de matéria sobre minha caracterização como militante petista e meu voto na assembléia dos Docentes e Servidores Técnicos Administrativos da Unesp, em greve por melhores salários e em defesa da Universidade Pública, venho, no exercício de meu direito e de meu dever, e também com o intuito de prestar esclarecimentos, manifestar-me como segue:

a) Sou filiado ao Partido dos Trabalhadores - PT desde 1986 e tenho participado dos principais eventos políticos de maneira ciente do meu papel de cidadão e do papel do PT como principal partido, depositário das esperanças das classes sociais mais desfavorecidas;

b) Na citada assembléia votei contra o indicativo de continuidade da greve a ser levado ao Fórum das Seis, que congrega os sindicatos que representam os trabalhadores das Universidades Públicas Paulistas e esta não é a primeira vez que voto desta maneira;

c) Tomei minha decisão com base em análise livre e conjuntural da nossa pauta de reivindicações, das negociações realizadas e em curso, da correlação de forças existentes no momento em razão do grau de mobilização na Unesp, USP e Unicamp e do necessário acúmulo de forças para a contínua luta da comunidade acadêmica em defesa da Universidade Pública;

d) Minha participação na assembléia constitui o reconhecimento da legitimidade do movimento quando, talvez, alguns esperassem a sua negação, estando eu, no momento, participando da Administração Local da Unesp;

e) No câmpus da Unesp de Bauru militantes ou simpatizantes petistas devem ter votado a favor do indicativo de continuidade da greve, o que prova que não há ingerência do PT neste importante movimento social, dismistificando a sua propalada instrumentalização;

f) Repudio o patrulhamento velado dos votos, prática fascista e intimidatória, levada a cabo, com certeza, por quem, estes sim, não possuem prática democrática, desconhecem os princípios da coerência, querem instrumentalizar o movimento para disputas políticas outras ou, simplesmente, buscam prejudicá-lo. Fico tranqüilizado pela convicção que, ao final deste processo, se tivermos a coragem do debate aberto e transparente, sairemos pessoalmente e institucionalmente fortalecidos, como tem ocorrido sempre. (Prof. dr. José Brás Barreto de Oliveira, RG 12.910.881)

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