O PTB, um dos partidos aliados da frente trabalhista nacional junto com o PPS e PDT, está fechado com o PSDB de Geraldo Alckmin no Estado de São Paulo. A informação é do vice-presidente da legenda no país, deputado estadual Campos Machado. Ele continua percorrendo o Interior para dizer que todos devem ir às ruas para pedir voto para o tucano Alckmin na disputa deste ano. Campos avisa que o PTB não vai aceitar rebeldes, em um recado aos possíveis simpatizantes malufistas. Leia a seguir a avaliação de Campos Machado sobre a participação da legenda nesta eleição e a confiança do petebista no crescimento da candidatura Ciro Gomes para presidente da República:
Jornal da Cidade - O senhor volta a Bauru para dizer que vai dobrar com Dota Jr. na cidade? Campos Machado - Venho aqui em uma condição maior e não apenas como deputado estadual. Venho como líder da bancada e líder do partido no Estado, o maior partido hoje em São Paulo. Aqui em Bauru, para honra nossa temos o Dota Jr. como candidato a deputado federal. Mas também viemos falar de outro tema importante. Até há pouco tempo havia um acordo definido para que o candidato a vice na chapa do PSDB ao governo do Estado fosse do PTB, o PFL indicaria o candidato ao Senado. E se comentava que eu dobraria novamente com o Alckmin em São Paulo. Mas a verticalização mudou essa regra.
JC - E agora como fica esse acordo? Campos - Com a lealdade extrema que mantenho com o Geraldo Alckmin estamos defendendo a candidatura Ciro Gomes, é claro, mas também defendemos que o partido não tenha candidato a governador em São Paulo e mantenha o compromisso de apoiar o Geraldo Alckmin para o governo. Isso faz com que nossos projetos sejam mantidos e eu vou novamente disputar para deputado estadual. Estou aqui para assegurar que o Dota Jr. vai ter uma legenda para deputado federal pelo partido. E o que é importante é que o Dota Jr. vai fazer nosso partido bem representado aqui. Nossa convenção estadual é no dia 23 e podemos fazer uma coligação proporcional como o PPS, até com o PDT e eventualmente com o PSB. Mas isso será definido no dia 23.
JC - A reunião em Pindamonhangaba domingo passado mostrou disputa pela vice do Ciro Gomes. Como o senhor viu isso? Campos - Realmente um dos setores do partido defendia a Sônia Santos para vice-presidente e tivemos um embate político defendendo a indicação do Paulinho, da Força Sindical. Entendemos que ele é o contraponto da candidatura Ciro com inserção entre os trabalhadores e o movimento sindical. E a dobradinha vai se dar muito bem. Vamos trabalhar em São Paulo pelo Ciro Gomes e essa bandeira não é incompatível. Temos movimentos evangélicos, carismáticos, nordestino e diversos outros movimentos no PTB. Entretanto, há oito meses eu percorri mais de 500 cidades e o nome do Alckmin já tinha sido mencionado para São Paulo. Não há como desprezar isso e dizer outra coisa agora.
JC - Mas existem muitos petebistas que não preferem Alckmin? Campos - Não vou mais admitir em hipótese alguma deslealdade no partido. Isso já estava acertado e eu serei o primeiro a ser leal e continuar leal. Então não posso também dizer que tudo o que eu defendi antes não vale nada. Os rebeldes não serão aceitos. Eu fui pressionado pela cúpula federal para ser candidato a governador mas vou continuar sendo leal ao governador. Vamos fazer um trabalho muito forte no Estado para o Geraldo Alckmin e o Ciro Gomes. Esta é a posição que espero ver vencedora na convenção estadual. Quem dá a linha discute antes. Então aquele que não concorda com a linha definida está no lugar errado. Compromisso é para ser cumprido. O projeto do partido no Estado é governar em 2006. Mas o compromisso com o Alckmin foi firmado muito antes e vai ser cumprido. Eu sou pré-candidato a governo do Estado e nunca escondi isso. Só não estamos juntos também na aliança com o Alckmin porque houve uma decisão casuística, maldosa que modificou a legislação eleitoral. Mas o acordo será cumprido.
JC - A mudança na regra pegou os partidos de surpresa mas coíbe a prostituição política? Campos - Sim, mas é uma decisão que tinha que ser tomada antes. Imagine na Copa do Mundo, aos 30 minutos do segundo tempo o juiz interrompe o jogo e diz que a partir dali a partida terá 22 jogadores de cada lado e não mais 11. É um contratempo que atrapalhou os partidos que já tinham discutido acordo como o PTB. Não pode fazer isso de uma hora para outra, mudar a regra do jogo tão próximo da eleição. Mesmo assim vamos trabalhar mantendo nosso compromisso com o Alckmin e trabalhar pelo Ciro, que vai crescer muito com sua mensagem na televisão.
JC - Mas o eleitor vai ouvir o Ciro criticando os tucanos na TV e os petebistas elogiando o Alckmin? Campos - Nosso país é continental e as vontades têm que ser respeitadas. Você pega um eleitor da cidade de Tiradentes, em São Paulo, ele não está preocupado com essas situações partidárias de candidatos diferentes. Ele quer votar na tranquilidade do Alckmin e na competência do Ciro para presidente. Não há problemas para o eleitor e nem com nossa cultura política. O que vai acontecer é que essas alterações intempestivas do TSE não vão passar em branco com o novo Congresso. Os deputados não vão permitir mais uma vez que eles invadam a ceara de competência. E isso vai provocar alterações na lei eleitoral. Então passaremos a ter um quadro mais claro. Agora, o PTB não pode escolher o melhor caminho para São Paulo só porque decidiram que tem que verticalizar as alianças?
JC - Não é um problema o Ciro ser candidato há um bom tempo e depender da TV para sua candidatura crescer? Campos - As pessoas não conhecem o Ciro candidato na televisão e todos os candidatos cresceram com a exposição com a televisão. O Lula, o Garotinho, a Roseana, todos foram assim. Nós vamos aproveitar esse grande mecanismo de comunicação agora. O Ciro vai para a televisão. O PSDB procura evitar o Ciro na televisão porque sabe que se ele tem oportunidade de falar ele cresce. Nosso projeto é o Ciro com 15% no início do programa eleitoral de TV.