Dois alunos do curso de desenho industrial - projeto de produto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, estão entre os dez finalistas do Concurso Design da Volkswagen. O objetivo é apresentar o projeto de um carro que, além de atrair o consumidor, faça parte de um sistema integrado de transportes que contribua para a racionalização do trânsito nos grandes centros urbanos.
Thiago Canola Afonso, 21 anos, chamou seu carro de “CIDâ€. O veículo criado por ele foge totalmente dos modelos em circulação. É compacto, com forma arredondada e projetado para transportar duas pessoas (uma na frente, outra atrás).
Como alternativa para a melhor fluidez do trânsito, o estudante propõe que os “CID†sejam carros públicos e estejam espalhados em diversos bolsões pelas cidades. “A pessoa entra nestes estacionamentos e pega um veículo usando um cartão (tipo telefônico ou de crédito). Vai até o trabalho e estaciona o veículo, que poderá ser usado por outra pessoaâ€, explica.
O “CID†seria elétrico, para contribuir com as questões ambientais. O “abastecimento†seria feito nos próprios bolsões, através de energia solar.
O modelo apresentado pelo estudante Luiz Fernando Orsini recebeu o nome de “BIT†e também acomoda duas pessoas, mais motor e um pequeno compartimento de bagagem. Segundo o estudante, sua proposta é um resgate do modelo Isetta, muito difundido nos anos 50. O Isetta não tinha portas laterais. O acesso era pela frente do carro.
“Com o acesso frontal e dimensões reduzidas (1,90 metro de comprimento e 1,40 metro de largura), ele poderia ser estacionado de frente para a guia, como as motos. Desta forma, numa vaga onde caberia um Omega, seria possível colocar quatro BITsâ€, ressalta.
Como alternativa de racionalização do tráfego, Orsini também propõe que os “BIT†sejam públicos e integrados a outros meios de transporte, como ônibus, trens e metrôs. “Por exemplo, você usa o metrô, desce em determinada estação e pega um BIT, pagando um valor de passagem. Vai até onde precisa, depois devolve a uma estaçãoâ€, sugere.
Paralelamente, todas as linhas de metrô disponibilizariam vagões especiais para transporte dos “BITâ€, para as pessoas que adquirirem o veículo. “O carro é projetado para pequenas distâncias e velocidade baixa, então, para ir a lugares mais distantes, você vai com ele até o metrô, entra no vagão e desce, com seu BIT, na estação mais próximaâ€, explica.
Fases
O Concurso Design Volkswagen é realizado em três etapas. De acordo com o professor de Projeto e Modelagem da Unesp/Bauru, Osmar Vicente Rodrigues, mais de 200 estudantes de desenho industrial de todo o País participaram da disputa, dos quais 17 eram alunos de Bauru.
Na primeira fase, realizada em abril deste ano, todos apresentaram a proposta teórica e ilustrada do carro. O tema escolhido foi “Praticidade, simplicidade e soluções compactas... assim é o CityCarâ€. Uma comissão escolheu os 15 melhores trabalhos.
Os estudantes selecionados participaram de uma visita à empresa, onde foram submetidos a um teste. Munidos de papel e caneta, tiveram que elaborar uma proposta rápida de um tema anunciado no local. Desta etapa, saíram os dez finalistas.
Agora, eles têm até dezembro para fazer a maquete de seus carros e apresentar sua sugestão de Sistema Integrado de Transporte (proposta de racionalização do trânsito). Nesta fase, eles contam com o auxílio do técnico para Desenvolvimento Acadêmico, Olívio Barreira, e com patrocínio da própria Unesp, que investe entre R$ 10 mil e R$ 13 mil por ano com o concurso.
Os autores dos três melhores projetos recebem como prêmio um estágio de um ano (janeiro a dezembro de 2003) no Estúdio de Design Volkswagen, onde participarão de todos os processos desenvolvidos pela empresa neste período.
“Esta é a quinta edição deste concurso e a Unesp de Bauru participa todos os anos. Tivemos dois alunos premiados e 1998, três em 1999 e 2000. Destes, quatro foram contratados pela empresa ao final do estágioâ€, comemora Osmar Rodrigues.
Para os dois finalistas, este concurso é a melhor oportunidade no setor automotivo para alunos brasileiros. “Quem consegue este estágio, adquire conhecimento técnico lá dentro, aprende sobre relações de trabalho e aumenta suas possibilidades de ascensão profissionalâ€, encerra Orsini.