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Comédia e tragédia


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Dizer que as atuais tensões, a ponto de explodir, entre Índia e Paquistão podem conduzir a uma guerra não é um exagero. A região fronteiriça entre os dois países é explosiva e uma escaramuça acidental pode facilmente levar a uma guerra em grande escala e a uma troca de ataques nucleares. O “patrioteirismo” aumentou progressivamente, e um sangrento ataque terrorista, que pudesse ser realizado, nas próximas semanas, por algum dos grupos militantes ativos na fronteira entre os dois países, poderia forçar a Índia a partir para represálias militares.

Índia e Paquistão, nações gêmeas separadas ao nascerem, se “endemoniaram”, uma com a outra, a partir da independência alcançada há 50 anos. Combateram três guerras pela disputada região da Caxemira, e, inclusive em tempos de paz relativa, suas relações permaneceram frias. Dirigentes dos dois países procuraram legitimar a si próprios, bem como distrair a atenção de seus povos de sua própria pobreza e das injustiças domésticas que sofrem, saturando-os de ódio contra o vizinho.

A Índia acusa o Paquistão de fomentar o terrorismo na Caxemira por meio da infiltração de militantes através da fronteira. Diz que apenas 20% da guerrilha separatista da Caxemira está integrada por nativos desse Estado e que o restante são paquistaneses, afegãos e militantes de outras nações islâmicas. Por sua vez, o Paquistão diz que interrompeu o apoio e o treinamento de militantes caxemires e que o prosseguimento da luta é o resultado de tentativas das forças de segurança indianas de sufocar as legítimas aspirações do povo da Caxemira.

Com a guerra no Afeganistão chegando ao fim, existe o perigo real de que o conflito se estenda para Leste. Nunca, desde a guerra de 1971, as tensões foram tão fortes. Mas como resolver o problema da Caxemira? Um Paquistão moderado e democrático está no interesse de todos, tanto do seu presidente, general Pervez Musharraf, quanto do primeiro-ministro indiano Atal Behari Vajpayee.

O primeiro passo imediato para os líderes do Paquistão e da Índia é baixar o tom do discurso e deter a guerra de palavras. Os dirigentes dos dois países não se dão conta é de que o resto do mundo está rindo deles. São dois países inseguros e pobres, que querem que o mundo os leve a sério porque possuem armas nucleares.

Índia e Paquistão necessitam reavaliar suas políticas de segurança. A segurança humana não vem das bombas, foguetes, artilharia, mas de uma alfabetização universal, do cuidado com a saúde pública e do emprego. A verdadeira ameaça contra a segurança para os dois países não procede de um ou outro território, mas da pobreza e desigualdades internas. Os falcões de Nova Délhi e Islamabad desprezam esses conceitos e os qualificam de sonhos irreais típicos dos “peaceniks” (pacifistas da época hippie). No entanto, o que a sociedade necessita urgentemente é de um movimento pela paz, nos dois lados da fronteira, encabeçado pela sociedade civil para mostrar aos governantes que os povos da Índia e do Paquistão e do resto da Ásia do Sul estão fartos dos traficantes de guerra e exigem paz e desenvolvimento. (O autor, Kunda Dixit, é jornalista nepalês)

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