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Professora aposentada cultua fotografia há mais de 50 anos

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

A fotografia é um elemento indispensável na vida da professora aposentada Maria Monte Serrat Borro Gonçalves, a Mirita, de 76 anos. Para ela tudo é motivo para fotografar, até os passeios ciclísticos que passam em frente ao seu apartamento.

Os sobrinhos a consideram a “guardiã das fotos da família”, mas ela dispensa o título. Entretanto, basta dar uma voltinha pela sua casa e encontrar fotografias nas estantes, nas paredes e em álbuns, muitos álbuns.

Mirita não sabe ao certo quantas fotografias tem guardadas e diz que algumas já se perderam pela família. “Tem sempre um que pede esta ou aquela e acaba não devolvendo. Mas realmente eu tenho uma porção de fotos.”

O hábito de tirar e rever fotos desde a adolescência também proporcionou à Mirita e suas quatro irmãs viúvas um encontro mensal -cada mês na casa de uma delas-, onde elas, além de colocar a conversa em dia, ampliam a galeria de fotos da família, muitas tiradas por elas com a antiga câmera do pai. “A dona da casa ou quem leva a máquina fica com os negativos e as demais fazem cópias.”

Na viagem pelo tempo proporcionada pelos inúmeros álbuns e porta-retratos da professora estão seus avós, que imigraram da Itália, seus pais, irmãos, sobrinhos, primos, cunhados, seus quatro filhos, os sete netos e os acontecimentos que marcaram a vida da família, como casamentos, bodas de ouro e o encontro de um irmão padre com o Papa João Paulo II, bem mais jovem e saudável.

O mais interessante é que Mirita sabe a história de cada fotografia. “Alguma data eu deixei passar pela correria da vida, mas o resto está tudo registrado.”, conta.

Ela guarda com carinho as fotos da primeira escola em que lecionou, em 1955: uma casa de madeira na colônia Dourado, na região de Adamantina, tempo em que precisou deixar em Bauru o marido José. “Era um tempo muito diferente, onde até atestado era registrado em cartório.”

Passado x futuro

Sobre o advento da fotografia digital, Mirita aponta que não quer nem tomar muito conhecimento por enquanto. Ela prefere deixar a tecnologia para os filhos e netos e espera que eles saibam cuidar do seu legado.

A professora admite que gosta da evolução das fotos coloridas e dos filmes cada vez mais brilhantes. Também gostou de ter trocado uma câmera manual Olympus por uma automática Cannon, mas mesmo assim o que lhe interessa é registrar momentos hoje e olhar amanhã, mesmo que esse hoje tenha mais de 50 anos.

“Eu estou na linha do vento, mas a fotografia faz com que a gente esteja presente em tudo. Seja na turma dos meninos da rua XV de Novembro ou nos almoços do Bauru Ilustrado”, brinca.

Ela conta que sente saudades do tempo em que a fotografia era um evento e a família inteira se mobilizava para não perder o clique do retratista, era um evento. Hoje, Mirita diz que até perdeu um pouco do glamour. “Por isso, nós que estamos no 70 e vivemos no passado temos na fotografia uma maneira de viver sempre assim, felizes como tivemos o privilégio de ser retratados.”

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