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Papel resiste à tecnologia da imagem

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 8 min

Mesmo com máquinas digitais de última geração quase ninguém se desfaz das fotos em papel. Os próprios laboratórios já se incubem de transformar os clicks digitalizados em fotografias que podem ser colocadas em álbuns ou porta-retratos.

Uma prova de que o papel jamais será substituído pelo virtual? Numa sociedade sentimental como a nossa, talvez.

Se não foi via e-mail, algum amigo já fez questão de ligar o computador para lhe mostrar as fotos de uma viagem ou álbuns do filho recém-nascido? É bem provavél que não.

Mas hoje, da mesma forma que é possível ter negativos, cromos (slides), cópias e até desenhos, digitalizados, através de um scanner ou da própria máquina, e arquivados em um disquete, CD ou disco rígido do computador, a possibilidade de imprimir cópias em papel de fotos digitais, também existe.

Muitos laboratórios fotográficos profissionais já fornecem este serviço a preços razoáveis. Em Bauru, há quase um ano já se realizam trabalhos neste sentido com minilabs de conversão do digital para o papel. Por enquanto, os usuários domésticos são minoria. Quem mais tira proveito da agilidade do sistema são empresas, seguradoras, agências de propaganda e profissionais de saúde, além da área jornalística, afirma o fotógrafo Carlos Sigueru Kobayashi, proprietário de uma rede de laboratórios na cidade.

“Para cada tipo de usuário a foto tem uma utilização e pede diferentes tipos de lentes, ora macro, ora objetivas. A máquina digital opera com lentes convencionais, mas o custo do equipamento inviabiliza que que ela seja utilizada em larga escala. Por isso, o uso doméstico é menor ainda, mas começa a despontar”, diz.

O fator inibidor é o preço relativamente alto. Tal como computador, a câmera digital evolui numa velocidade muito rápida e cada momento surgem novos equipamentos. “A diferença é que no computador a evolução vem na rapidez do processamento das informações. Já a câmera tem seu desenvolvimento na capacidade de resolução”, explica Sigueru.

A maioria das imagens feitas com câmeras digitais de baixa resolução ou domésticas não podem ser impressas num tamanho superior a 10 x 15 centímetros.

Isto ocorre porque o tamanho máximo aceitável está diretamente relacionado com a resolução da foto. Se uma imagem for ampliada além de sua resolução, fica toda quadriculada, pois seus pontos, denominados pixeis, acabam estourando.

Nestes casos o problema não é da máquina. Muitas vezes, para caber mais fotos num disco, o usuário se esquece do resultado final, abaixa a resolução e não consegue qualidade para a impressão de imagens de maior tamanho.

Mesmo com estes empecilhos, o sistema digital, que existe há cinco anos, tende a revolucionar a fotografia no mundo.

Sigueru aponta que num futuro não muito distante a captura das imagens será digital com impressão em papel e ele garante que, em condições corretas, o resultado é o mesmo. A durabilidade é igual e os cuidados são os mesmos.

“A tendência é essa: o filme será superado pelo digital, mas o papel não será substituído pela imagem virtual. Da mesma forma que o videocassete e o DVD não tiraram o lugar do cinema. A única coisa que vai acontecer é uniformizar a mídia, ou seja o disco de captação da imagem e tudo indica que será o compact flash, que já conta com capacidade para até 500 megas.”

Nesse processo de constante evolução, Sigueru aconselha que cada usuário faça as devidas migrações a cada mudança significativa. Como as que ocorreram com os discos flexíveis para os disquetes, dos K7 para o CD, do VHS para o DVD. E orienta para que sempre sejam salvas várias cópias dos arquivos de imagem como segurança.

“A captura digital não veio acabar com a fotografia, mas sim incrementá-la. Também é uma tendência o povo fotografar mais e revelar menos, pois o digital lhe dá a opção de selecionar o que realmente se quer ou ficou bom”, revela o fotógrafo.

Neste processo, apesar do equipamento digital ser mais caro, com o uso vai se tornando mais econômico, pois dispensa os gastos com filme e revelações. Hoje os serviços de impressão de cópias digitais em papel fotográfico ainda são cerca de 30% mais caros que a revelação e ampliação comum, mas a tendência é que em breve esses valores se equiparem.

“A fotografia reflete a época que se vive, mas em 100 anos de fotografia com filme em menos de cinco anos a era digital já mostra a evolução desta nova forma de fotografar. Daqui a 30 anos teremos um novo jeito de se ver e tirar fotos”, conclui.

Fotografia dá nova visão ao mundo

Com o surgimento da fotografia nasceu uma nova maneira de ver o mundo tanto do ponto de vista estético, com seus inusitados ângulos de visão, como o close, o desfoque, a imagem tremida e o registro do movimento, quanto pela precisão absoluta que reproduzia natureza. Dando novas impressões a partir do olhar.

A própria fotografia nasceu das tentativas de aperfeiçoamento dos métodos de impressão sobre papel, que eram dominados pelos chineses no século VI e só difundidos na Europa 600 anos depois. Tanto Joseph Nicéphore Nièpce, o inventor da fotografia na França em torno de 1826, quanto o precursor brasileiro, Hércules Florence, trabalhavam no aprimoramento de sistemas de impressão quando tiveram a idéia literalmente luminosa de unir dois fenômenos já conhecidos na época: a “câmera obscura”, empregada pelos artistas desde o século XVI, e a característica sensível à luz dos sais de prata, comprovada pelo físico alemão Johann Heinrich, desde 1727.

Segundo vários relatos sobre a história da fotografia, Nièpce morreu antes de ver sua invenção mundialmente aclamada, em 1839. Quem ficou com a glória foi seu sócio, Jean Jacques Mandé Daguerre, que rebatizou a héliographie, de Nièpce por daguerreotypie, para ter certeza de que a humanidade não o esqueceria.

Com a fotografia foram registradas imagens inacreditáveis para a época como um relâmpago em 1847, clicado pelo americano Thomas Easterly, e a primeira fotografia da lua, obtida por John Adams Whipple, de Boston, em 1851, 118 anos antes que os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin pisassem no solo lunar e tirassem as primeiras fotografias na lua.

A exaltação do valor prático da fotografia não deve obscurecer sua importância como instrumento de criação artística detentor de uma linguagem própria. Aliás, foi isso que a transformou no veículo ideal para documentação.

Entretanto, as primeiras e arrojadas expedições fotográficas eram extremamente complicadas, pois o processo empregado na época exigia o emulsionamento da placa instantes antes da tomada da foto, o que obrigava transporte de quilos e quilos de equipamentos.

Com uma produção industrial, a redução do formato das máquinas era o objeto de desejo e pesquisa dos fabricantes. Em 1888, surgia a Kodak com o slogan que dizia que para fotografar era só apertar um botão.

O desejo de reproduzir imagens coloridas como a realidade nasceu com o aparecimento da fotografia. Com isso muitos fotógrafos chegaram a colorir daguerreótipos, numa tentativa de remediar a ausência.

No dia 10 junho de 1907 surgiu o primeiro processo industrial de produção de fotografias coloridas, o Autochrome Lumière. Esse sistema, criado por um dos pioneiros do cinema, Auguste Lumière, usava féculas de batata previamente tingidas (1/3 de vermelho, 1/3 de azul e 1/3 de verde) e cuidadosamente distribuídas sobre a placa de vidro, sendo amplamente difundido até 1932.

O ano de 1947 seria marcado pelo aparecimento de uma invenção totalmente revolucionária: a fotografia instantânea, a Polaroid, criada por Edwin Land. Ao possibilitar a contemplação imediata da fotografia feita, a nova câmera fechava um ciclo importante, iniciado com a daguerreotipia, que também tinha revelação imediata, permitindo a correção rápida de erros ou imperfeições, vantagem ausente da fotografia durante quase um século. Em 1963, Land surpreenderia novamente ao lançar o filme instantâneo colorido. Parecia impossível querer mais...

Fonte: www.fotosombra.com.br www.kodak.com.br, www.nikon.fr.

A imagem digital

A fotografia digital não é um bicho-de-sete-cabeças. Para começar, as câmeras digitais funcionam de forma praticamente igual às convencionais - exceto pelo fato de gravarem as imagens em um meio digital ao invés de filme e já existem diferentes tipos de câmeras digitais disponíveis no mercado para atender a diferentes necessidades.

Toda câmera digital tem um limitação quanto à informação ou resolução de imagem que pode gravar. Essa capacidade de resolução está intimamente ligada ao preço da câmera. Em uma máquina digital, o disquete ou o compact flash card registram as imagens, mas os processos são bem distintos.

A gravação da imagem com um disco é feita em três passos. A exposição à luz é convertida em carga elétrica em pontos individuais (pixels) do sensor. Depois, estas cargas são transferidas pela movimentação da carga dentro do fotodiodo de silício. E finalmente, a carga é transformada em uma voltagem e então descarregada.

Para o usuário doméstico, as câmeras de baixa resolução são as mais fáceis de manipular, pois são como máquinas automáticas básicas, as populares “xeretas”. Elas têm lentes de foco fixo e capacidade limitada para tirar fotos e raras funções avançadas, com capacidade de armazenamento de, no máximo, 32 imagens.

Nestas máquinas quando o limite de fotos é atingido, é preciso ter acesso a um computador para descarregá-las, e só então limpar a memória ou o disco para as próximas imagens. Algumas câmeras permitem que se possa ver suas imagens na televisão, sendo ligada à entrada de vídeo com um cabo especial. As câmeras automáticas são uma boa escolha para se tirar fotos instantâneas e para fotografia geral, assim como aplicações comerciais, tais como fotografias para o jornal da empresa, folhetos simples ou páginas de Internet.

Já as digitais de alta tecnologia permitem ao usuário salvar as fotos em cartões conhecidos como compact flash cards. Numa viagem ou numa matéria longe do computador é possível carregar diversos cartões, como se fossem rolos extras de filme. O único problema é o custo alto destes cartões.

No topo da lista existem câmeras profissionais de ponta, caras, que produzem as fotografias para os jornais ao redor do mundo em apenas alguns minutos após a ocorrência de um evento.

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