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Pais medrosos geram filhos medrosos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma mãe ou um pai medroso pode transferir a seus filhos essa fobia. O medo pode ser genético e, em muitas famílias, é comum perceber o mesmo receio por parte de vários membros.

De acordo com a psicóloga Adriana Bei Forelli Martins, quando uma pessoa da família tem um pânico, uma ansiedade exagerada em relação a algo, certamente transmitirá a seus descendentes. Mas essa não é a única maneira de se tornar um medroso.

Algumas famílias têm um sistema de educação que transmite medo à criança, de acordo com o médico psiquiatra Demétrio Romão Torres. “Os pais, às vezes, falam: cuidado com isso, é muito perigoso, ou ainda, se não obedecer, vai ficar no escuro. Isso acaba causando alguns medos, fobias e até pânicos nas crianças”, explica.

Há também aquele medo que teve início por um trauma sofrido em algum momento da vida. Se a pessoa leva um susto muito grande, por exemplo, ela pode ficar traumatizada e sempre temer aquela situação.

A psicóloga Adriana diz que se uma criança for mordida por um cachorro e se assustar, não adianta os pais dizerem que não foi nada, que não aconteceu nada, porque ela sabe que aconteceu. A saída aí é explicar que aquilo foi uma vez, doeu, mas não é sempre que vai acontecer e que não são todos os cachorros que avançam.

Ela diz ainda, que se uma mulher grávida passar por uma situação de susto, ela deve conversar com o bebê, explicar o que ocorreu e dizer que já passou e agora está tudo bem. “Isso pode ajudar, pode evitar um medo por trauma”, diz.

De acordo com o médico Torres, há vários tipos de tratamento. Cada caso é avaliado individualmente para um diagnóstico e um tratamento precisos. A terapia comportamental, terapia cognitiva, teoria psicanalítica, antidepressivos, ansiolíticos são algumas recomendações dependendo do paciente. Ele lembra que a psiquiatria vem sendo humanizada e que a falta de ambulatório especializado dificulta esse trabalho.

Nem mesmo na televisão

A professora aposentada Zuleika Diniz dos Reis, 64 anos, não chega perto de uma barata nem mesmo quando já está morta. Ela tem um verdadeiro horror desse inseto que, cá entre nós, é mesmo asqueroso.

Ela diz que já conhece as músicas dos comerciais que mostram baratas e, ao ouvir o início do comercial, fecha os olhos e só volta a abrir depois que acaba. Ela vê baratas nos supermercados e deixa de comprar certas mercadorias para não correr o risco de mexer em alguma pilha e sair uma barata do local.

Zuleika conta que é capaz de ouvir os barulhos que as baratas fazem, de enxergá-las em qualquer lugar que ela está, até mesmo quando está dirigindo, na rua, ela vê as baratas no asfalto. “A gente, por medo, fica muito atenta e conhece tudo sobre o que nos põe pânico”, conta.

Ao ver uma barata, Zuleika grita e não se importa com mais nada. Ela conta que sua pele arrepia, sente que sua cabeça vai explodir e sente como se uma agulha estivesse entrando em sua coluna. “Tenho pavor de barata, é automático, é ver e berrar”, afirma.

Apesar do horror que Zuleika tem com baratas, ela se diz inconformada com o fato de nunca ter sido capaz de matar uma. “Com a personalidade forte que tenho, não me conformo de nunca ter matado uma barata em minha vida”, confessa.

Ela já ficou sozinha em casa e conta que se visse uma barata, era capaz de ir se hospedar num hotel e só voltar quando alguém entrasse na casa e matasse a “asquerosa”.

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