Para muitas pessoas, estar na moda é uma questão de “sobrevivência†social. Elas são as primeiras a mudar o corte de cabelo, criar uma nova maquiagem, trocar o estilo de se vestir. Com medo de ficar ultrapassadas, algumas se precipitam e entram em “ondas†que podem trazer graves conseqüências à saúde.
“A palavra moda indica que é algo passageiro, pode não ser a tendência amanhã. Por isso, do ponto de vista médico, tudo o que for feito como modismo deve ser reversível, algo que possa ser retirado e restituído sem alterar a aparência e saúde do indivíduoâ€, afirma o dermatologista Cláudio Tonello.
Alguns modismos, porém, desrespeitam este critério. É o caso das tatuagens, por exemplo. São marcas impressas na pele que a pessoa terá que carregar por toda a vida. A medicina já descobriu formas de retirá-las, mas a cirurgia de remoção quase sempre deixa cicatrizes grandes e feias - algumas até piores que a própria tatuagem da qual a pessoa enjoou.
Mas há outras modas, como a recente lipoaspiração, que já levou muita gente às mesas de cirurgia. Considerado o milagre do século 20, porém, o procedimento vem sendo usado sem critérios. Além de ser prejudicial à saúde, isso pode comprometer a própria estética.
Tem também a mania do salto altíssimo. Mulheres bonitas adotam os sapatos para aumentar a elegância de determinada roupa ou simplesmente para sentirem-se maiores diante do mundo. Mas como ficam músculos, ossos e articulações diante de tamanho esforço físico? É permitido usar, só que sem abusar.
A tecnologia também recriou o olhar, usando lentes de contato coloridas e desenhadas. A opção fascina, mas custa caro e exige grande dedicação. Lentes precisam ser limpas, esterilizadas e hidratadas regularmente. Sem isso, a saúde visual corre sérios riscos.
A modernidade também já permite acabar de uma vez com a desconfortável depilação. Raios laser ou choques elétricos destróem a raiz dos pêlos, deixando o indivíduo livre das constantes “mutilações†por lâminas ou cera.
São inúmeras “ondas†que vêm e vão no ritmo do tempo. Tendências que mudam, saem de cena, voltam anos depois ou desaparecem de vez na história. Modismos que podem e devem ser imitados, mas com muita responsabilidade. Afinal, toda mudança traz conseqüências à saúde e qualidade de vida das pessoas. Para quem vai adotá-las, o melhor é procurar orientação e pesar bem os resultados para o futuro.
Vaidade forçada e controlada
Quando o assunto é moda, os principais interessados parecem ser os jovens. O JC Saúde aborda algumas das tendências mais procuradas nos últimos anos, mostrando o que os especialistas pensam e orientam a respeito. Para crianças e adolescentes, todos os cuidados devem ser redobrados, principalmente quando o assunto são as modas irreversíveis.
A iniciativa de usar maquiagens e outros cosméticos deve ser despertada naturalmente, sem a imposição dos pais. Na hora e idade certas, a menina vai sentir vontade de se produzir e maquiar.
Quando esta vontade surgir, o diálogo deve orientar as escolhas dos adolescentes. Cabe aos responsáveis indicar os melhores produtos ou encaminhar seus filhos a profissionais que possam fazer isso.
Alguns procedimentos são proibidos para menores, como a colocação de piercings e aplicação de tatuagens. Nem adianta brigar com pai e mãe para que autorizem, porque lei é lei e desrespeitá-la implica em multas e punições.
E pensar. Pensar muito. Porque as decisões tomadas na infância e adolescência são trilhas que levam à vida adulta. Abusos de hoje podem refletir-se em doenças ou incômodos futuros. É moda sim, mas que seja usada com bom senso e respeito ao próprio corpo.