Saúde

Piercings podem resultar em quelóides, alergia e infecções

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A prática de furar a pele e implantar objetos de decoração acompanha a humanidade há milhares de anos, nas mais diferentes culturas. Os piercings nada mais são que a retomada desta cultura, só que num formato mais moderno, usando jóias, ao invés de ossos e madeira. O problema está na reação individual. Algumas pessoas podem apresentar quelóides, infecções e reações alérgicas no local.

Chama-se quelóide um “defeito” de cicatrização em que se forma um tumor sobre o local perfurado ou cortado, sempre maior que a lesão original. Constituído de um tecido rígido e fibroso, é de difícil tratamento, pois quanto mais se corta, maior fica a lesão.

Geralmente, a pessoa só vai descobrir que tem quelóide quando coloca o primeiro brinco ou piercing. Dias depois de furar a orelha, forma-se um tumor, do tamanho de uma azeitona, nestes casos.

“Há algum tempo, atendi um rapaz muito bonito que havia colocado brinco e apresentou quelóides. Fizemos a cirurgia e aplicamos a Beta-terapia - um tipo de radiação superficial que você aplica em dez sessões diárias após a cirurgia. Depois, ele passou vários meses usando uma placa para comprimir o local e impedir o crescimento de novos tumores. Um tratamento difícil e muito caro”, conta a cirurgiã-plástica Telma Vidotto de Sousa.

Quem coloca piercings também pode apresentar reações alérgicas. Segundo a médica, não existe um consenso sobre o melhor material a ser usado na confecção das jóias. Bianca Lourenço Paro, 23 anos, que tem um estúdio para colocação de piercings, informa que o mais usado é o aço cirúrgico importado. O preço mínimo da jóia é de R$ 30,00.

Da mesma forma como acontece com as tatuagens, Bianca chama atenção para os cuidados de higiene e esterilização na hora da perfuração. Os procedimentos corretos e o uso de agulhas descartáveis são a única forma de impedir a transmissão de doenças.

“Mesmo assim, a cicatrização do local demora aproximadamente um mês. Neste período, nós orientamos a pessoa sobre a maneira correta de desinfetar a perfuração e pedimos que ela volte ao estúdio para acompanhamento gratuito uma vez por semana, até completar a cicatrização. A falta de cuidados pode levar a inflamações, que precisam ser tratadas”, ressalta Bianca.

Segundo os especialistas, quando a perfuração é pequena e recente e a pessoa desiste do piercing, o buraco pode até fechar sozinho. Algumas vezes, porém, é preciso fazer uma cirurgia, também deixando uma cicatriz de recordação.

Proibido para menores

De acordo com Marcelo e Bianca Paro, uma lei federal aprovada há alguns anos proíbe a colocação de piercings e a execução de tatuagens em menores de 18 anos. “Nem com autorização dos pais. Até eles podem ser processados e multados se autorizarem”, informa Marcelo.

Segundo eles, a lei funciona nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro desde 1997 e foi implantada em todo o País por volta do ano 2000. A norma prevê sérias punições em caso de desobediência, tanto para quem faz, como para pais que autorizam. “Eles podem até perder a guarda dos filhos”, comenta Bianca.

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