Saúde

Lipoaspiração exige critério cirúrgico

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A lipoaspiração - procedimento que retira gordura acumulada em diversos pontos do corpo - surgiu como um verdadeiro milagre no final do século 20. O sonho do corpo perfeito estava mais próximo e - melhor - sem qualquer dificuldade. No entanto, muitas pessoas abusaram e abusam dela.

Trata-se de um procedimento cirúrgico como outro qualquer, com anestesia, cicatrização, cuidados pós-operatórios e diversos critérios a se respeitar

O primeiro, de acordo com a cirurgiã-plástica Telma Vidotto de Sousa, é a indicação. “Muitas vezes, a pessoa chega dizendo que quer fazer uma lipo, mas o caso dela exige outro procedimento. Outras vezes, ela acha que vai emagrecer com a lipo, mas ela só vai tirar gordura localizada. Não é um passaporte para a beleza. Se não levar uma vida saudável, com dieta equilibrada e exercícios físicos, em poucos dias a gordura se acumula de novo”, ressalta.

A afirmação é reforçada pelo dermatologista Cláudio Tonello, que estende esta orientação para tratamentos anticelulite e outras técnicas de emagrecimento. “A decisão de fazer estes procedimentos tem que passar, primeiro, por um processo mental. A pessoa tem que estar decidida a mudar seus hábitos alimentares e fazer uma atividade física. Senão, nada disso adianta. Vai gastar dinheiro à-toa”, acrescenta.

Tonello lembra que modelos e artistas passam quatro a seis horas por dia se exercitando. “O corpo bonito é uma coisa que se constrói. Ele não é construído pelo médico, mas pela própria pessoa. Pela dedicação dela. Se o peso estiver normal, mas sobrar uma gordura localizada ou uma celulite, aí sim as técnicas médicas são úteis”, completa.

Escolha consciente

Telma Vidotto de Sousa observa que a decisão de se fazer uma lipoaspiração deve levar em conta diversos itens. A preparação começa na escolha de um bom profissional.

“Informe-se sobre ele, procure a Sociedade Brasileira de Medicina para saber se o registro dele está em ordem, procure pacientes antigos dele para conhecer resultados, para saber qual é a conduta dele no pós-operatório, se ele atende ou desaparece. Enfim, cerque-se de cuidados”, sugere.

Na opinião da cirurgiã-plástica, o profissional sério é aquele que explica os prós e contras do procedimento que será adotado. Ele dá muitas informações e tira todas as dúvidas do paciente, sem pressa.

Outro cuidado sugerido pela médica é a definição do local onde a cirurgia será feita. “Tem muita gente fazendo lipo em consultório, quando o ideal é fazer em clínicas ou hospitais bem aparelhados. Porque ninguém está livre de uma complicação, mas se houver, é preciso socorrer imediatamente, sob pena do paciente correr risco de infecções ou mesmo de vida”, alerta.

A dermatologista Nilma Vidotto de Sousa completa, dizendo que é preciso fugir das propostas muito baratas. “Concordo que nem sempre o caro garante qualidade. Mas uma coisa muito barata deve gerar desconfiança. A lipoaspiração é um procedimento cirúrgico que tem custos com material, higienização, manutenção do hospital. O custo excessivamente baixo pode ser uma armadilha”, afirma.

Repetição

Algumas pessoas têm usado a lipoaspiração como alternativa para emagrecer. Elas retiram a gordura localizada, mas não mantêm hábitos saudáveis. Levam vida sedentária, abusam da alimentação, depois voltam aos consultórios querendo repetir a cirurgia.

“Essas pessoas correm o risco de ficar com uma fibrose. Quando você coloca a cânula, você promove uma agressão. Ela tira o excesso de gordura, mas vai haver um momento em que não haverá tanto excesso e pode ocorrer a formação de uma fibrose no local, ou seja, pode formar um conjunto de cordões rígidos sob a pele, que causam depressões”, destaca o dermatologista Wagner Monteiro Cardoso.

Na verdade, o corpo humano define o número de células gordurosas na pré-adolescência, segundo os médicos. Com o passar dos anos, estas células podem acumular gordura e inchar (como feijão colocado de molho). A lipoaspiração retira parte destas células. Quando a pessoa volta a reter gordura, são as células restantes que incham mais. A introdução repetitiva da cânula pode causar uma cicatriz - que é a fibrose.

“Então, esse modismo de querer fazer lipo a toda hora, sem uma indicação correta, pode deixar a aparência pior que com a gordura”, conclui Cardoso.

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