O mercado assimilou bem, entendendo como positivas as medidas adotadas pela equipe econômica do governo visando contornar a crise de insegurança por que passa o País.
Este ano, como previsto, o efeito eleitoral cria um ambiente de incertezas, e a atuação firme do governo permite, ao menos no curto prazo, eliminar pressões especulativas.
Baixar o nível de reservas, injetar mais dólares no mercado (mesmo com recursos do FMI), ter maior controle sobre os gastos públicos, lançar títulos de curto prazo, recomprar títulos mais longos, são medidas que permitem gerar essa tranqüilidade, necessária para momentos mais agudos.
Mas não nos iludamos. A pressão continuará. De um lado prevalecendo a especulação, com reflexos imediatos no mercado a cada lance político, a cada discurso, a cada resultado das intenções de voto, de outro lado prevalecerá o que estarão transmitindo os indicadores econômicos, tais como inflação, câmbio, juros, contas públicas, balanço de pagamentos, entre outros.
No tocante às contas externas, há uma preocupação mais acentuada. Por exemplo, na próxima quarta-feira vencem compromissos privados na ordem de US$ 2,5 bilhões. Haverá pressão sobre o câmbio via aumento da demanda.
Até o final do ano vencerão em média US$ 1,5 bilhão de compromissos. E as empresas do setor privado não sabem se conseguirão e até se querem rolar essa dívida. O investidor estrangeiro pode simplesmente deixar de apostar no país, não renovando esses empréstimos, e as próprias empresas podem imaginar que ocorrerá uma enorme disparada da cotação do dólar, dependendo dos resultados das eleições, não querendo ter em seu passivo dívidas em moeda estrangeira.
Por isso, a avaliação é de que o mercado seguirá pressionado, mas o governo tem instrumentos que comprovadamente são eficazes. Vale lembrar que nesses oito anos o modelo interno era o mesmo, a dependência de capital estrangeiro também, e conseguimos contornar as crises mexicana, asiática, argentina, russa e até o atentado nos EUA.
O lamentável é não termos sido capazes de mudar o modelo tendo o presidente FHC e atual equipe econômica oito anos para sustentar o crescimento.
Mas não podemos chorar o leite derramado, ou seja, agora é hora de focalizar na transição de governo, seja eleito quem for, garantindo um controle firme sobre os indicadores que fundamentam a economia.
Reinaldo Cafeo, 40 anos, é economista, professor universitário, pós-graduado em Engenharia Econômica, mestrando em Comunicação. Atualmente, é delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), consultor empresarial nas áreas econômico-financeira, diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), consultor credenciado do Sebrae/SP e coordenador do Grupo Empresarial de Apoio à Criança e Adolescente (Gea).