Um dos itens da proposta de revitalização do Centro de Bauru (veja quadro) inclui o incentivo à ocupação residencial da região. A idéia do projeto é estimular empreendedores a construir prédios residenciais na região e atrair moradores para o local.
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio) de Bauru, Walace Garroux Sampaio, essa seria uma solução salutar para a região central. “Ao trazer de volta os moradores para a região central, estaremos aumentando o movimento das ruas no período noturno e criando uma atmosfera mais familiarâ€, explica o sindicalista.
Ele acredita que o Centro da cidade pode abrigar diversos perfis de moradores, desde jovens casais até idosos que buscam facilidades no seu dia-a-dia. “O Centro oferece todos os gêneros necessários para as pessoas, como supermercados, lojas, bancos, hospitais. Fica fácil e rápido resolver qualquer problemaâ€, salienta.
Ele aposta na idéia e diz que se houvesse uma reabitação da região central, isso estimularia o comércio a manter suas lojas abertas até mais tarde. “Também poderíamos incentivar a instalação de equipamentos de lazer, como barzinhos e lanchonetes funcionando até mais tardeâ€, explica.
A idéia, no entanto, não é viável de acordo com corretores de imóveis. Eles destacam que as construtoras não estariam dispostas a investir em residenciais na região central. “Dificilmente os habitantes de Bauru vão querer voltar para o Centro. Todo o mundo, hoje em dia, está em busca de sossego e tranqüilidadeâ€, afirma Wânia Porto, diretora da Associação dos Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba).
Ela define a região central como um local abafado, fechado e com muita poluição sonora, itens indesejados para quem busca qualidade de vida. “Eles (comerciantes e prefeitura) querem ter uma cidade grande nos moldes de cidade antiga. Acho difícil unir esses dois pólosâ€, salienta Wânia.
Ela ressalta que a comissão de revitalização do Centro deveria buscar uma outra estratégia para reanimar a região. “Além das mudanças propostas, será preciso fazer um forte trabalho de marketing para chamar a atenção dos consumidoresâ€, propõe.
O também diretor da Aciba, José Martinho Teixeira da Silva, frisa que não é característica do Centro ser habitável. “Nem mesmo os estudantes, que buscam facilidades, vão querer se instalar naquela região. Eles querem estar perto dos bares e danceterias ou das faculdadesâ€, alerta.
Ele explica que as pessoas acabaram se mudando do Centro devido também à valorização comercial do imóvel. “Quem aluga uma casa antiga para o comércio consegue um aluguel muito maior do que se alugasse para uma família morar.â€
Para Silva, quem mora no Centro sente-se isolado. “Geralmente quem mora em residência não tem contato com a vizinhança, mesmo porquê os vizinhos são pontos comerciais. A pessoa sente-se um pouco isoladaâ€, enfatiza.