Bairros

Acesso fácil ao comércio e bancos é a principal vantagem

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O casal Ilda Neves Tâmbara e Noris Tâmbara mora há meio século na mesma casa, localizada bem no coração comercial da cidade: a 20 metros do Calçadão da rua Batista de Carvalho.

Durante todos esses anos, Ilda e Nóris acompanharam as fases de evolução da região central de Bauru e sentem saudades dos velhos tempos. “Antigamente, a gente colocava a cadeira na calçada e ficava horas papeando durante a noite com os vizinhos”, recorda-se Ilda.

Ela diz que gosta de morar no Centro, mas está insatisfeita com as condições atuais da cidade. “Não se pode mais andar por essas ruas. É tudo muito apertado, tem muitas barracas e placas que atrapalham a circulação”, critica.

Apesar do grande movimento, Ilda prefere o Centro durante o dia. “Enquanto o comércio está aberto, a gente tem mais segurança”, atesta.

Depois das 18h, no entanto, a situação muda. Ela e o marido preferem ficar trancados em casa a se expor ao perigo das ruas desertas e com pouco movimento. “A gente se preveniu e reforçou a segurança de casa, para ficar mais seguro. Tem que ficar trancado”, salienta.

Fácil locomoção

Ilda e Nóris moram na região desde quando começaram a despontar as primeiras lojas no Centro da cidade.

No entanto, há casais que optaram pelo local já cientes de todas as implicações que isso poderia trazer.

É o caso de Élio e Adriana Guerreiro. Eles moram há três anos na área central e dizem estar satisfeitos com a escolha.

De acordo com Élio, a maior vantagem é a facilidade de locomoção. “Tenho tudo à mão: banco, lojas, supermercado. Nem uso o carro”, explica.

Ele e a esposa estão criando seis filhos na região central e não têm medo da violência. “Quanto à segurança, eu acho que não tem muitos problemas. Do tempo que moro aqui, só tive problema uma vez com relação a isso.”

A principal desvantagem, segundo ele, é a poluição sonora e o excesso de fumaça produzida pelos veículos. “O barulho atrapalha bastante”, salienta.

Essa também é a principal reclamação da jornalista Célia Regina Rodrigues, que mora na região central há 2 anos e 3 meses. “Aos sábados de manhã, a gente é obrigado a acordar com o barulho dos carros de som. É insuportável”, frisa.

Ela e o marido, o engenheiro eletricista Edilson Nishihara, optaram morar na região central por acaso. Eles estavam em busca de um apartamento para comprar e achavam todos muito pequenos e caros. “Em outras regiões da cidade, dificilmente encontraríamos o espaço que temos aqui”, ressalta.

Como estavam procurando qualidade na moradia, eles decidiram investir na região central. “Nós visitamos o prédio e eu me apaixonei pela distribuição do apartamento, grande e espaçoso”, conta.

A jornalista elege a comodidade como uma das grandes vantagens de se morar no Centro. Entre os problemas, ela aponta a falta de estacionamento, a poluição e a segurança. “Eu não gosto muito de andar à noite pelas ruas centrais. Acho que elas ficam muito desertas”, destaca.

De acordo com Célia, se for feita uma revitalização do Centro da cidade, isso vai conferir um certo “charme” para a região. “Isso vai valorizar a área.”

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