O casal Ilda Neves Tâmbara e Noris Tâmbara mora há meio século na mesma casa, localizada bem no coração comercial da cidade: a 20 metros do Calçadão da rua Batista de Carvalho.
Durante todos esses anos, Ilda e Nóris acompanharam as fases de evolução da região central de Bauru e sentem saudades dos velhos tempos. “Antigamente, a gente colocava a cadeira na calçada e ficava horas papeando durante a noite com os vizinhosâ€, recorda-se Ilda.
Ela diz que gosta de morar no Centro, mas está insatisfeita com as condições atuais da cidade. “Não se pode mais andar por essas ruas. É tudo muito apertado, tem muitas barracas e placas que atrapalham a circulaçãoâ€, critica.
Apesar do grande movimento, Ilda prefere o Centro durante o dia. “Enquanto o comércio está aberto, a gente tem mais segurançaâ€, atesta.
Depois das 18h, no entanto, a situação muda. Ela e o marido preferem ficar trancados em casa a se expor ao perigo das ruas desertas e com pouco movimento. “A gente se preveniu e reforçou a segurança de casa, para ficar mais seguro. Tem que ficar trancadoâ€, salienta.
Fácil locomoção
Ilda e Nóris moram na região desde quando começaram a despontar as primeiras lojas no Centro da cidade.
No entanto, há casais que optaram pelo local já cientes de todas as implicações que isso poderia trazer.
É o caso de Élio e Adriana Guerreiro. Eles moram há três anos na área central e dizem estar satisfeitos com a escolha.
De acordo com Élio, a maior vantagem é a facilidade de locomoção. “Tenho tudo à mão: banco, lojas, supermercado. Nem uso o carroâ€, explica.
Ele e a esposa estão criando seis filhos na região central e não têm medo da violência. “Quanto à segurança, eu acho que não tem muitos problemas. Do tempo que moro aqui, só tive problema uma vez com relação a isso.â€
A principal desvantagem, segundo ele, é a poluição sonora e o excesso de fumaça produzida pelos veículos. “O barulho atrapalha bastanteâ€, salienta.
Essa também é a principal reclamação da jornalista Célia Regina Rodrigues, que mora na região central há 2 anos e 3 meses. “Aos sábados de manhã, a gente é obrigado a acordar com o barulho dos carros de som. É insuportávelâ€, frisa.
Ela e o marido, o engenheiro eletricista Edilson Nishihara, optaram morar na região central por acaso. Eles estavam em busca de um apartamento para comprar e achavam todos muito pequenos e caros. “Em outras regiões da cidade, dificilmente encontraríamos o espaço que temos aquiâ€, ressalta.
Como estavam procurando qualidade na moradia, eles decidiram investir na região central. “Nós visitamos o prédio e eu me apaixonei pela distribuição do apartamento, grande e espaçosoâ€, conta.
A jornalista elege a comodidade como uma das grandes vantagens de se morar no Centro. Entre os problemas, ela aponta a falta de estacionamento, a poluição e a segurança. “Eu não gosto muito de andar à noite pelas ruas centrais. Acho que elas ficam muito desertasâ€, destaca.
De acordo com Célia, se for feita uma revitalização do Centro da cidade, isso vai conferir um certo “charme†para a região. “Isso vai valorizar a área.â€