Ciências

Impressões dos especialistas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A pesquisa “Estudo biomecânico dos padrões cinemáticos do chute no futebol”, desenvolvida pelo câmpus de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenada pelo professor Sergio Augusto Cunha, repercutiu positivamente entre os técnicos, jogadores e aspirantes ouvidos pelo Jornal da Cidade, embora não com a mesma intensidade.

Entre eles é unânime a opinião de que qualquer técnica desenvolvida visando o aprimoramento dos atletas que praticam o futebol é bem-vinda. Contudo, todos também concordam que horas de treino e muito empenho são imprescindíveis no processo de aperfeiçoamento dos chutes.

Para o treinador Edmilson Guimarães Barone, que ensina os princípios do esporte para 300 jovens de sete a 17 anos, problemas de fundamento são muito frequentes até em jogadores profissionais, porque os atletas praticam pouco o chute. “Precisava ter mais treinamento para as finalizações, por isso todo tipo de trabalho com bola é bem recebido. Hoje os treinadores estão ensinando e exigindo muito pouco”, explica.

Barone ainda faz questão de ressaltar que, diferentemente do que se imagina, bater na bola é muito difícil. Quando seus alunos diparam “a redonda” em direção ao gol, em média 30% não passam perto nem perto da trave. “A pessoa que sabe, aprendeu a jogar futebou”, conclui.

O treinador Sérgio Clavero, que também desenvolve trabalho com categorias de base, tem opinião semelhante, mas lembra que o estado emocional do jogador numa partida é o que realmente define a qualidade de um chute. “A pesquisa tem proveito, mas o desempenho do atleta vai depender de condições que vão além da técnica”, enfatiza.

Ainda que outras variáveis, como estado o estado psicológico dos jogadores no decorrer de um jogo, não sejam levadas em conta na pesquisa realizada pela Unesp, Cunha as reconhece, mas optou por excluí-las nesta fase do estudo.

Já o aspirante Alexsandro Andrade, 18 anos, em treinamento há sete meses, não tem como dissociar os aspectos psicológicos do seu cotidiano em campo. Também para ele, a tranquilidade numa partida é o que vai determinar o desempenho do jogador. “Se diante de um erro houver retaliação por parte dos companheiros, o atleta fica desmotivado e deixa de tratar a bola como sua 2.ª mãe”, argumenta.

Mesmo priorizando o aspecto psicológico, o jovem não despreza os critérios técnicos e considera salutar a pesquisa desenvolvida. Ele lembra que só com muita orientação e empenho conseguiu evoluir nas partidas e evitar contusões. “Uma vez, por não ter fortalecido minha perna de apoio, sofri um estiramento. Quando me recuperei, procurei orientação e voltei a treinar mais pesado”, conta.

Experiências como esta fazem parte de uma história longínqua para o zagueiro do Esporte Clube Noroeste, Alex Sandro Ambrósio. Há 11 anos jogando profissionalmente, ele não deixa de fazer alongamentos especialmente antes de uma bateria de chutes.

A prática de vida também mostrou, segundo ele, que além dos treinos, técnicas como a estudada pela Unensp podem melhorar o trabalho dos jogadores. “Como utilizamos dados cada vez mais precisos, o esporte pode fazer bom uso da pesquisa”, conclui.

Comentários

Comentários