Um misterioso crime intriga as polícias Civil e Militar de Bauru. Uma menina de 11 anos foi espancada e está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, em estado de coma. A agressão aconteceu na madrugada de ontem, na casa da menor, no Jardim Tangarás, onde a mãe dela com o namorado também dormiam.
O casal alegou para a polícia que não ouviu qualquer barulho suspeito. As identidades da menina, da mãe, assim como do namorado da mãe, estão sendo preservadas em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente. O crime foi comunicado à Polícia Militar por volta das 8h de ontem.
O relato da mãe à polícia é de uma história confusa e que está sendo investigada pela equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Na delegacia, a mãe contou que saiu na noite de sábado com a filha e o namorado.
Os três ficaram em uma quermese até por volta das 3h da madrugada de domingo. De volta para casa, a vítima teria ido para seu quarto dormir, enquanto que a mãe o namorado foram para outro quarto da mesma casa, distante apenas oito metros.
Ontem, por volta das 7h30, após o despertador tocar, a mãe levantou e ao procurar a chave para abrir a porta da casa percebeu que ela não estava no local de costume. Pensando que talvez a filha tivesse guardado a chave, entrou no quarto dela e deparou com uma cena chocante.
A estudante de 11 anos estava sobre a cama, ensangüentada e toda suja de fezes e vômito. Pelo quarto havia sangue até no interruptor de luz. Aos gritos, a mãe teria chamado o namorado, que acionou a Polícia Militar e a Unidade Resgate do Corpo de Bombeiros.
A menina foi socorrida ao Pronto-Atendimento Infantil e imediatamente transferida para a UTI do Hospital de Base. Segundo informações da polícia, a criança teve esmagamento da caixa craniana e foi socorrida inconsciente. Até ontem à tarde, seu estado de saúde era grave.
Estupro é descartado
A primeira hipótese levantada pela polícia foi de um crime sexual. O criminoso teria estuprado a menina e tentado matá-la, supostamente para não ser reconhecido. Porém, o médico que atendeu a criança descartou que tenha ocorrido conjunção carnal, o que configuraria o estupro.
De acordo com o exame preliminar não há sinais de violência sexual, apesar da menor ter sido encontrada de calcinha e camisete. O intrigante da história é que na casa não foi encontrado qualquer objeto que possa ter sido usado na agressão.
Impressões digitais, roupas, tocos de cigarros e objetos suspeitos foram apreendidos e serão objetos de pesquisa pela Polícia Técnica. A mãe da vítima, bem como o namorado dela, foram ouvidos pela polícia.
Segundo o titular da DIG, delegado J.J. Cardia, ambos apresentaram a mesma versão sobre o crime. Ele frisa que não há sinais de arrombamento. “Na janela, nas portas e na entrada e fundos da casa não foram detectados sinais de arrombamentoâ€, diz.