Tribuna do Leitor

Trinta anos sem Maria Lúcia Petit!


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Ontem, dezoito de junho completaram-se trinta anos da morte da jovem professora Maria Lúcia Petit. Por ironia do destino, a jovem professora tombou morta no mesmo dia do aniversário de seu irmão Jaime. Estavam os três irmãos engajados na luta contra a ditadura militar implantada em nossa pátria e com a condenação de Jaime a três anos de prisão por participação no Congresso da UNE, em Ibiúna, resolveram seguir para o campo de treinamento de guerrilha do PCdoB no Araguaia, como fórmula que entendiam como eficaz para escaparem da perseguição policial na cidade.

Jovens, destemidos, idealistas e corajosos não se conformavam com a ausência de liberdade e lutavam para a derrubada do regime militar. Localizados pela repressão, foram implacavelmente “caçados” e mortos impiedosamente, com requintes de crueldade e sadismo.

Dos setenta jovens mortos na chamada “Guerrilha do Araguaia”, tão-somente os restos mortais da professora Maria Lúcia foram reconhecidos e sepultados na cidade de Bauru, no cemitério do Jardim do Ipê. Do restante, notamos a indiferença governamental em reconhecer ou localizar os restos mortais. Poderão me contestar por homenagear a professora e seus irmãos, guerrilheiros e lutadores intransigentes pela liberdade, mas aos contestadores gostaria de lembrar que na Bíblia Sagrada está escrito que os mortos têm direito a sepultura digna, onde possam ser reverenciados pelos seus e não consigo me conformar com os restos mortais destes brasileiros mortos em busca da liberdade estarem em sepulturas clandestinas, transformando em perene o sofrimento de seus familiares.

Que os setores democráticos da sociedade mobilizem-se para a localização e identificação dos guerrilheiros do Araguaia, como forma única de ser restabelecida a verdade sobre este período da história brasileira. (Antonio Pedroso Júnior - pedrosojr@chineloneles.com.br)

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