Bairros

Com muro quebrado, escola é invadida

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A direção da escola estadual Plínio Ferraz, localizada na Vila Independência, já teve que suspender as aulas do período noturno, em um dia na semana passada, por causa da invasão de estranhos, que soltaram bombinhas típicas de festas juninas muito próximo às salas, o que causou tumulto entre os alunos. Os vândalos estão entrando na escola através de um buraco no muro para que a rede de esgoto, que estava entupida, fosse consertada.

A diretora da escola, Tânia Mara de Carvalho Baptista, diz que é difícil evitar as invasões, que estão interferindo nas aulas. Mas ela afirma que solicitou verba para colocar um portão no buraco aberto no muro e fazer outras obras relacionados à rede de esgoto. “Já enviamos o pedido de verba, com urgência urgentíssima, ao FDE (Fundo de Desenvolvimento Escolar) para reforma de emergência”, diz.

Ela conta que os invasores, a maioria adolescentes que não estudam na escola, uma vez no interior do prédio, soltam bombinhas dentro do canalete de escoamento de água das salas de aula, provocando forte barulho. Apesar do tumulto que esses atos causam entre os alunos, Tânia afirma que não houve problemas mais graves, como estudantes feridos.

A diretora explica que parte do muro acabou com a estrutura abalada após as obras de conserto da rede de esgoto dentro da escola. “Tivemos refluxo de esgoto na escola e os técnicos do DAE (Departamento de Água e Esgoto) constataram que havia uma manilha estourada dentro da escola, que abalou o muro. Pedimos para retirar parte do muro porque tinha risco de desmoronamento”, revela.

A reforma de emergência, que inclui a instalação de um portão no buraco aberto no muro, mais a troca da manilha, está orçada em R$ 5 mil. Apesar da manilha ter sido trocada na semana passada, ontem a escola voltou a ter refluxo de esgoto. Por isso, os alunos do período vespertino foram dispensados às 16h.

O buraco no muro está sendo um problema, segundo Tânia. Ela conta que solicitou aos pais ajuda para vigiar a abertura, uma tentativa de evitar as invasões e interferência nas aulas. “Temos 1.700 alunos, mas apenas uma mãe apareceu para ajudar na vigilância e está fazendo o horário das 14h às 16h”, afirma.

Por causa da abertura no muro, a Polícia Militar está reforçando o policiamento em frente à escola. O tenente Paulo César Valentin, novo comandante da Base Comunitária Oeste, conta que designou uma viatura para permanecer no local nos horários de entrada e saída de aulas no período noturno.

De acordo com o tenente Valentin, a escola conta com policial fixo em frente à escola no período da manhã, quando eram registrados mais problemas. A diretora da escola lembra que o prédio conta com circuito de TV e alarme monitorado, equipamentos de segurança que ela considera importantes para coibir vandalismos.

De acordo com Tânia, somente o fato de existir câmeras ligadas inibe depredações e brigas entre alunos. “As câmeras foram instaladas com verba da APM (Associação de Pais e Mestres) e agora com a verba do Governo do Estado vamos aumentar o número de pontos”, revela.

Outra medida tomada pela escola foi a adoção do uniforme. “Temos 1.700 alunos, o que dificulta aos funcionários saber se quem está entrando realmente é estudante. Depois que adotamos o uniforme, não tivemos, até o problema no muro, casos de invasão porque ficou fácil detectar quem é estudante”, completa.

Em Bauru, a maioria das 49 escolas estaduais já conta ou está adquirindo câmeras de TV para circuito interno e alarmes. O secretário estadual de Educação, Gabriel Chalita, que visitou a cidade recentemente, autorizou a aquisição de equipamentos de segurança para mais 11 escolas.

O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, afirma que as escolas já enviaram o projeto solicitando a liberação da verba para os equipamentos. O dinheiro será repassado para as APMs, que ficarão responsáveis pela compra das câmeras e contratação da empresa de segurança para instalação de alarme.

Ele acrescenta que a Secretaria de Educação também vai repassar R$ 80,00 por mês para a manutenção do alarme monitorado, para as escolas que optaram pelo sistema de segurança. Após a instalação dos equipamentos, apenas oito escolas estaduais de Bauru vão ficar sem alarmes ou câmeras.

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