Cultura

O livro antes de tudo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Política do livro. Essa é a chave para a solução de muitos problemas brasileiros, na opinião do escritor Luiz Galdino. Autor de quase cinqüenta obras - “já perdi a conta” -, algumas publicadas no México e nos Estados Unidos, ele atualmente está dedicando-se a livros paradidáticos e esteve ontem em Bauru, palestrando para alunos do Serviço Social da Indústria (Sesi) da Vila Santa Luzia.

“O problema da leitura no Brasil está diretamente ligado à questão da educação e do ensino. Se não mudar o ensino vai ser muito difícil mudar outras coisas”, enfatiza Galdino.

Ele acredita que o problema da leitura no País reflete a falta de incentivo do governo. O autor cita como exemplo a Alemanha e os Estados Unidos, onde livros que teriam tiragem que 30 mil exemplares são lançados com 100 mil porque o governo os compra para abastecer bibliotecas, salas de leitura e universidades. “Isso leva o livro até aquele lugar onde realmente a pessoa não pode comprá-lo”, afirma.

O escritor sonha com um Brasil cujo ensino privilegie a leitura. Para ele, o problema principal não é o custo dos livros - como muitos alegam. “O problema é de educação. As pessoas acham caro o livro, mas não acham caro o CD e o tênis importado. Hoje até existe a leitura na escola, mas como uma espécie de adendo. A gente precisa de uma diretriz em que a literatura seja primordial”, reforça.

Através do trabalho voltado ao público jovem, o escritor pretende estimular entre crianças e adolescentes o hábito da leitura desde cedo. “A gente vive num país que não lê. A descoberta do público juvenil é uma esperança de que, quem sabe, daqui a cinco, dez ou quinze anos tenhamos um número de leitores maior”, expõe.

Visitas

Formado em artes, com especialização em pré-história, Galdino conta que começou escrevendo ficção para adultos mas, atualmente, dedica-se mais intensamente a romances para um público formado por jovens e adolescentes.

Por esse motivo, a convite da editora FTD, tem visitado escolas no interior do Estado de São Paulo. Ontem, em Bauru, esteve em duas. Hoje, o escritor estará em Araraquara e amanhã retorna a Bauru para palestras em outras escolas. A viagem conta ainda com passagens por cidades da região de Penápolis.

â€œÉ uma iniciativa interessante na medida em que o aluno lê com uma outra motivação porque ele sabe que vem o autor e ele vai poder discutir, falar com o autor, questionar”, diz.

A aluna Amanda de Lima, da 7.ª série do Sesi, conta que já leu dois livros de Galdino. “‘Uma bomba no quintal’ é um suspense muito legal. À medida em que você vai lendo o livro você quer ler mais”, diz. “Ele mexeu bastante comigo. São histórias muito interessantes de ler”, acrescenta.

A professora Anette Merep Callom, que ministra aulas de Língua Portuguesa no Sesi da Vila Santa Luzia, diz que a visita de Galdino à instituição faz parte do Projeto Leitor que, entre outras atividades, promove sessões de leitura na biblioteca da escola para alunos de 5.ª a 8.ª séries.

Para o próximo semestre, os professores do Sesi já estão programando a visita de um outro escritor. â€œÉ importante para o aluno esse contato com a literatura e que ele enxergue a realidade dele na literatura”, expõe Anette.

Aos alunos, Galdino deixou sua mensagem: “Dentro de um livro existem grandes paixões, grandes rebeldias, personagens inesquecíveis, viagens inesquecíveis e, acima de tudo, grandes emoções. Eu fico imaginando como é que é possível alguém passar uma vida inteira sem ler. E sinto muita pena”, observa.

Comentários

Comentários