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Ex-mendiga dará testemunho de fé

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Eles traçaram caminhos muito diferentes na vida, mas esta semana se encontraram em Bauru unidos pela fé. O pastor e ex-padre Nivaldo Lisboa Soares fará hoje, às 20h, o seu testemunho de vida na igreja Manancial de Sião. No sábado, será a vez da ex-mendiga, hoje missionária Maria Isabel Rodrigues contar seu comovente relato também às 20h. Os eventos fazem parte do ciclo de palestras que se iniciou em maio em comemoração à inauguração do templo.

Nivaldo é mineiro, tem 44 anos e nasceu numa família católica, filho de um Mariano com uma filha de Maria, e desde criança sonha em poder ajudar aos pobres. Entretanto, a mãe não permitiu que ele ingressasse no seminário muito cedo. Mas foi num baile ao som de rock e vendo jovens se drogarem, que tomou a decisão de realmente abandonar sua vida de adolescente de 17 anos e fazer os votos para ser padre e cuidar dos jovens e dos miseráveis.

Sua ordenação foi em 1986, quando passou a integrar a diocese de Governador Valadares e encaminhar movimentos de trabalhadores e carentes na sua paróquia.

Durante este tempo, vivia recebendo ligações de crentes dizendo-lhe “que Deus estava com ele” e recebendo convites para visitar outras igrejas protestantes. “Num domingo resolvi entrar numa igreja Presbiteriana, aceitando um convite e as palavras que ouvi naquela celebração me tocaram profundamente”, comenta.

Tempos depois, levou o carro quebrado à uma oficina mecânica e o pastor presbiteriano estava lá. “Eu o desafiei a ir na minha igreja e se ele fosse daria espaço à sua pregação.”

O pastor conta que tinha até se esquecido do fato, mas ao se arrumar para a missa do domingo vira o pastor adentrar a igreja. Ao final da primeira leitura chamou o companheiro ao altar. “E trazendo somente a palavra divina sem criticar ninguém ou nenhuma religião. O pastor conseguiu cativar numa noite o padre e mais 200 fiéis.”

Os detalhes dessa história o pastor Nivaldo, que integra a igreja Batista, contará hoje à noite e também dará o testemunho de que mesmo em outra religião não abandonou o ideal de cuidar de pobres e dependentes químicos. Para ele, “os homens precisam viver em frutífera ação social.

Nunca mais

Aos 30 anos, a missionária sul-matogrossense Maria Isabel Rodrigues diz hoje trazer na bagagem luz e esperança. Coisas que há 15 anos, quando jurou nunca mais pisar em Bauru não possuía. Hoje, ela está feliz por voltar aqui transformada.

A missionária se compara ao filho pródigo. Filha de protestantes diz ter nascido falando “glória, aleluia”, mas queria mais do que rezar e cantar no coro da igreja Assembléia de Deus e viver bem com os pais. Foi para São Paulo aos 12 anos morar com uma irmã e em pouco tempo se perdeu no submundo do crime.

Maria Isabel foi drogada, líder de quadrilha e aos 13 anos carregava na barriga o filho de um marido traficante que precisava “apagá-la” porque ela sabia demais.

Na fuga da capital veio parar em Bauru, onde fez dos bancos da estação rodoviária seu hotel e das latas de lixo o seu restaurante. Ficou doente e da sua pele minava um líquido mal-cheiroso que afastava ainda mais as pessoas a quem pedia ajuda, implorando que a única coisa que queria era comida para ela e o filho, que mal sabia se nasceria. “Ao invés de comida, me jogavam água fria e lavagem, por isso jurei nunca mais pisar aqui”, revela.

Mesmo assim, ela conseguiu ajuda e chegou a Três Lagoas, seu destino era Campo Grande. Lá, teve o bebê que nasceu com 900 gramas por causa da droga.

Mesmo assim, Maria Isabel conquistou nada além de um “emprego” na prostituição, que a levou ao topo da sociedade, mas que em pouco tempo a derrubaria no fundo do poço e a colocaria novamente à beira da morte.

Nessa época, ela estava grávida do quarto filho, um de cada pai, e morava numa favela. Devia para traficantes e novamente estava doente quando um milagre salvou a ela e ao bebê.

“Mesmo perdida no mundo, sendo um lixo e levando uma mala carregada de vício, sujeira, morte, desprezo e perdição, tive vários anúncios de que um dia minha vida mudaria porque Deus me reservara outra missão. Essas pessoas apareciam em momentos de maior desespero e ousadia. Nunca lhes dava confiança, mas hoje a minha história é outra. Sou uma pessoa que realmente se reergueu do pó.”

Serviço

A igreja Manancial de Sião fica na rua Ezequiel Ramos, 8-51

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