Eletricitários e empresas energéticas sentaram-se à mesa mais uma vez para discutir a reposição salarial, ontem, em Campinas, sede do setor que compreende Bauru e região. Como esta foi a quarta rodada de negociações - e a contraproposta das companhias foi novamente rejeitada - a possibilidade de greve da categoria está cada vez mais forte.
De acordo com o dirigente do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT) Jesus Garcia, as empresas foram irredutíveis nos valores apresentados, que não contemplam a reivindicação do Sinergia. Os eletricitários exigem reajuste de 9,3% (índice de inflação acumulada dos últimos 12 meses, calculado pelo Dieese), além da extensão do acordo coletivo para 2005 e correção dos benefícios.
Segundo Garcia, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) apresentou uma proposta escalonada, com reajuste de 5% para quem recebe até R$ 1.400,00, e R$ 70,00 fixos de correção para quem ganha entre R$ 1.400,00 e R$ 2.333,00, o que resulta numa variação de 3% a 5%. Para quem recebe mais de R$ 2.333,00, o reajuste seria de 3%.
Além disso, a companhia propôs abono de 10% sobre o salário-base e correção dos benefícios em 4% a partir de janeiro de 2003. “Em relação à proposta da CPFL, nós rejeitamos na mesaâ€, revela o sindicalista.
As propostas das demais empresas energéticas da região de Bauru - a AES e a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) - também foram recusadas pelos diretores do Sinergia. A CTEEP, por exemplo, sugeriu um reajuste de 4%.
Paralisações
Garcia não descarta a greve dos trabalhadores do setor energético se as negociações não caminharem. “A greve sempre está no nosso plano de lutaâ€, afirma. A princípio, os eletricitários já estão fazendo paralisações isoladas nos locais de trabalho - de uma hora a meio período de duração.
A expectativa do sindicato é de que as empresas proponham outra rodada de negociações. “Esperamos que a CPFL retome o processo de negociação para que a gente possa aumentar a reposição, fazendo cobertura integral da inflaçãoâ€, declara Garcia.
De acordo com o sindicalista, as companhias argumentam que a crise energética do ano passado reduziu os lucros do setor, portanto não seria possível fazer com que o reajuste salarial chegue ao patamar reivindicado pelo Sinergia. Para Garcia, a situação real das energéticas não está tão mal quanto elas alegam.
No caso específico da CPFL, Garcia afirma que, das empresas privatizadas, ela é a que mais fatura e expande o patrimônio no Estado de São Paulo. “Não justifica essa argumentação toda de que não tem dinheiro, não tem recursosâ€, observa.
Sem apagão
Segundo Garcia, hoje será realizada uma assembléia em Bauru para informar aos eletricitários a proposta das companhias. Cerca de mil pessoas trabalham no setor num raio de 200 quilômetros de Bauru.
Para o sindicalista, se a possibilidade de greve se concretizar não há risco da região, ou mesmo de uma área maior do Estado, ficar sem energia elétrica, pois setores essenciais e de emergência não parariam. “Nós, trabalhadores, vamos manter o fornecimento normal, sem problema. Não existe nenhuma possibilidade do sistema ficar desprotegidoâ€, garante Garcia.
Após a rodada de negociações de ontem, o sindicalista revelou que o setor elétrico nacional, também em campanha salarial, recebeu proposta de reajuste de 6%, que foi rejeitada. Devido a isso, empresas de energia como Furnas e Chesf devem entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana.