Turismo

Liquidação argentina

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Quem foi à Argentina nos anos 70, quando Isabelita Peron foi derrubada do poder pelos sucessivos golpes militares que bombardeavam o país, vai sentir o mesmo clima ao aterrissar em Ezeiza.

Já no aeroporto verificará como o peso está desvalorizado frente ao dólar e como nosso suado e até pouco tempo humilhado realzinho pode fazer maravilhas na terra de Maradona, Carlos Gardel, Evita e Jorge Luís Borges.

Essa é a época ideal para quem quer visitar novamente ou conhecer pela primeira vez a cidade das parrillas, dos tangos e dos vinhos. “La Ciudad que nunca duerme” que faz os brasileiros esquecerem aquela velha rixa de futebol.

Andar por suas largas avenidas, visitar os bairros históricos como Recoleta e San Telmo, comer numa das inúmeras churrascarias de Puerto Madero e entrar no Teatro Colón, mesmo que de dia, durante um breve ensaio, já valerá a pena. Até novembro de 2001, Buenos Aires estava praticamente inacessível aos brasileiros.

Uma Coca-Cola não saia por menos de US$ 5. Hoje, um suculento bife de chouriço, como é chamado o contra-filé deles, acompanhado de papas (batatas) fritas e uma deliciosa salada de lechuga custa em torno de US$ 15 (para duas pessoas). Pouquíssimo se lembrarmos que nos Estados Unidos ou Europa uma garrafa de cerveja custa isso.

E tem mais: essas maravilhas gastronômicas são servidas a preço de banana numa metrópole que lembra Madri e Paris. Na cidade mais européia da América do Sul, por conta da mistura arquitetônica, do clima e da elegância nata dos portenhos.

Buenos Aires tem história e tradição, como testemunham monumentos que não foram afetados pelas paneladas - as manifestações da classe operária. A Plaza de Mayo, as avenidas Corrientes e Lavalle - eixo da noite portenha, repleta de cinemas, teatros, salas de espetáculos - a Casa Rosada, La Boca, Recoleta e as casas coloniais restauradas e tanguerias de San Telmo fazem a alegria dos visitantes.

Muito mais agora, quando menos de US$ 300 são suficientes para a compra de um pacote de fim de semana em Buenos Aires, com passagem aérea incluída e hospedagem em hotel cinco estrelas.

Alguns hotéis têm facilitado tanto para os turistas, que chegam a embutir no preço do pacote, ingresso com direito a jantar em show de tango e city tour por seus pontos mais turísticos.

O cafezinho que chegou a custar US$ 3 na Recoleta, área mais chique de Buenos Aires, no ano passado, hoje pode ser encontrado por menos de US$ 1.

Uma ópera no Teatro Cólon custa entre US$ 12 e US$ 20, e o melhor local na platéia sai a no máximo US$ 50, enquanto que em 2001 o ingresso mais barato estava na casa dos quase US$ 40.

Coqueluche brasileira

Várias operadoras de turismo, como a Agaxtur, estão comemorando antecipadamente: as reservas para Bariloche e Buenos Aires já cresceram mais de 40% em relação ao mesmo período do ano passado, nos últimos 15 dias. Os vôos fretados que saem nas últimas duas semanas de julho (dias 22 e 29) para Bariloche, por exemplo, já estão lotados.

As previsões otimistas calculam que só ela vai levar mais de 3 mil brasileiros para curtir as férias de inverno na Argentina, o que vai representar um crescimento de mais de 100% também em relação ao número de brasileiros (2.400) que viajaram pela empresa, nesta mesma época, em 2001, para lá.

A Argentina está com custo de vida em média de 50 a 60% mais barato. Para o vice-presidente da Agaxtur, Aldo Leone Filho, esse fator aliado a queda no preço das passagens aéreas em 40%, transformou Buenos Aires na coqueluche de fim de semana para brasileiros, e Bariloche, na melhor opção para casais e famílias inteiras para as férias de inverno.

Uma semana em Bariloche, no Crowne Plaza Panamericano, um cinco estrelas, pode ser adquirido a partir de US$ 1.120 por pessoa.

Querida metrólope

Buenos Aires é uma megalópolis de 11 milhões de habitantes, uma das maiores cidades do mundo. É, também, a cidade mais elegante e ativa da América do Sul, resumindo de alguma forma a variada e heterogênea essência do argentino

Serviço

• Leve dólares, cartão de crédito, travelers cheks ou pesos (um dólar para casa 3,60 pesos). Os argentinos não gostam de receber real.

• Um casaco de couro custa hoje na Argentina cerca de US$ 50, bolsas, jeans e calçados entre US$ 20 e US$ 50.

• A compra de um pacote turístico é o modo mais prático e barato de conhecer Buenos Aires e Bariloche. A Agaxtur opera com a TAM.

• Informações: 0300-1231000.

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