Para o comércio de Bauru, os dias seguintes a uma vitória brasileira na Copa do Mundo estão se tornando sinônimo de boas vendas. As vésperas, por outro lado, acabam sendo fracas para alguns segmentos.
Como a Seleção viajou para a Ásia com pouco crédito, aparentemente os torcedores primeiro esperaram os gols e as boas atuações aparecerem antes de começar a comprar os acessórios para os dias de jogo - camisa verde-e-amarela, bandana, corneta, apito, adesivo e uma série de outros itens.
Numa loja de artigos esportivos no Centro da cidade, por exemplo, somente na manhã de ontem foram vendidas cerca de 15 camisas oficiais da Seleção Brasileira, contra apenas sete vendidas em todo o dia anterior.
Para o gerente da loja, Mário Valério, a convincente vitória do Brasil sobre a Inglaterra animou o consumidor a investir nos paramentos para a torcida. “Eu abri a loja hoje (ontem) de manhã e vendi quatro camisas em seguidaâ€, comemora.
Valério revela que, desde pouco tempo antes do início da Copa do Mundo, já foram vendidas cerca de 200 camisas oficiais da Seleção Brasileira, a um preço unitário de pouco mais de R$ 100,00. “Essa está sendo uma das melhores Copas para vender material da Seleçãoâ€, conta.
Na última Copa, realizada em 1998 na França, Valério observa que foram comercializadas menos de 100 camisas oficiais do Brasil.
A situação, no entanto, poderia ser diferente se o Brasil tivesse perdido o jogo de ontem. Na loja em que Valério trabalha, ainda restam 60 camisas oficiais no estoque. “Se o Brasil não ganhasse, teria de vender todas abaixo do custo. Agora, se for para a final, vai vender tudoâ€, afirma.
Barulho
Além do uniforme amarelo da Seleção, a torcida também parece gostar de comemorações com apitos, cornetas e bandeiras. Até anteontem, véspera de Brasil x Inglaterra, uma loja atacadista de Bauru havia vendido mais de 400 bandeiras para carro, a um custo de R$ 0,89 cada.
Desde o início da Copa, foram comercializadas quase quatro mil bandeiras, além de 700 cornetas e 1.500 apitos. A expectativa da loja é vender ainda mais agora que a Seleção está na reta final. “No período entre os primeiros jogos, a venda caía, mas agora está aumentando, principalmente após os jogosâ€, observa a funcionária Vilma Martins.
No segmento de bijuterias e acessórios, os resultados também vêm agradando, apesar do baixo lucro com as mercadorias. Há disponível no comércio itens como brincos na forma da bandeira brasileira ou bandanas e colares verde-e-amarelos.
Segundo a vendedora Erondi Cerqueira de Souza, que trabalha numa loja de bijuterias, é a véspera dos jogos a data preferida pelas mulheres para comprar os adornos verde-e-amarelos, ao contrário dos uniformes, bandeiras e apitos. “Elas sempre vêm procurar algum produto do tipo antes dos jogosâ€, conta a vendedora.
Devido ao baixo custo dos produtos, o impacto da Copa ainda é pequeno nos lucros da loja - situação que pode mudar, diz a vendedora. “O movimento não é nada muito estrondoso, mas vamos ter de renovar o estoque se o Brasil for à finalâ€, revela Erondi.