Araraquara - O juiz da Vara de Execuções Criminais e da Infância e Juventude de Araraquara, Silvio Moura Sales, afirmou, nesta semana, que já está analisando o pedido de liberdade condicional de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que mesmo sem existir nenhuma prova de sua atuação no Primeiro Comando da Capital (PCC), é tido pela Promotoria do Estado de São Paulo como um dos líderes da facção que domina a maior das penitenciárias do Estado.
Apesar de já ter feito uma análise superficial do processo, Sales disse não poder comentar a respeito do processo em andamento, em virtude de uma proibição da Lei Orgânica da Magistratura. “Infelizmente eu não posso passar nenhuma informação sobre a situação do processoâ€, destaca o juiz.
A defesa de Marcola alega que seu cliente tem bom comportamento e já cumpriu tempo de prisão exigido por lei. Em outubro, o detento completa 16 anos de pena, de um total de 22 anos a que está condenado por assalto a banco.
Em relação ao não indiciamento de Marcola em denúncia apresentada pelos promotores Roberto Porto e Márcio Sergio Christino, do Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), e pelos delegados Ruy Ferraz Fontes e Alberto Mateus Pereira Júnior, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Sales também preferiu não se posicionar.
“Prefiro não falar se isso beneficia ou prejudica o decorrer do processo, porque eu estaria adiantando um posicionamento, que eu não posso externar. Isto eu tenho que decidir a partir do que eu vejo no processoâ€, declara o juiz. Marcola escapou da denúncia do Ministério Público (MP) entregue na última sexta-feira ao juiz da 7.ª Vara Criminal da Capital, e que denunciou 22 pessoas como sendo responsáveis pelo funcionamento da facção criminosa, em tráfico de drogas, extorsões, seqüestros, homicídios, atentados a bomba e ameaças.
Em 22 de fevereiro, o nome de Marcola já era relacionado ao PCC. Na ocasião a descoberta de uma central telefônica clandestina da facção criminosa no Vale do Sol, em Araraquara, encontrou um caderno com o seu nome, mais anotações com a quantia de dinheiro utilizada por cada preso, em seu nome constava R$ 200,00.
Marcola continua sendo investigado pelo Deic, que acredita tem ele como um dos fundadores e principal líder do PCC. Ele é acusado de liderar rebeliões nos presídios de São Paulo, incluindo a megarrebelião de fevereiro de 2001, em 29 unidades prisionais. Mesmo acreditando que Marcola ajudou a comandar a facção da Penitenciária de Araraquara, a promotoria não conseguiu detectar nada nas escutas telefônicas.
De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele já mudou de regime penitenciário duas vezes, desde 1986, seguindo para unidades semi-abertas onde podia trabalhar, mas fugiu e retornou para presídios fechados. Marcola foi transferido para Araraquara, em 17 de abril, vindo da Penitenciária de Segurança Máxima de Charqueadas (RS), antes de ter passado por presídios de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.