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Exame identifica crianças trocadas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A genética dispõe de uma técnica alternativa capaz de indicar a mãe natural de qualquer indivíduo. Especialistas têm recorrido à ela para apontar a maternidade em caso de trocas de bebês em maternidades.

Trata-se de um exame de DNA (material hereditário) não convencional, que também permite apontar a evolução dos povos, além de ajudar em estudos demográficos e revelar doenças genéticas transmitidas apenas pelas mães. O teste, que analisa a carga genética das mitocôndrias (organela da célula geradora de energia química), tornou-se popular recentemente.

Ele ganhou visibilidade no transcorrer da novela O Clone, da Rede Globo. No folhetim, a personagem Deusa só conseguiu que seu nome constasse na certidão de nascimento do filho que gerou e era clonado, através da técnica.

O procedimento científico, que não é recente e tem sido utilizado há aproximadamente cinco anos no Brasil, é desenvolvido através de um processo diferente do utilizado nos testes comuns de DNA.

Conforme explica o geneticista coordenador do Centro de Genética Humana em Biologia Molecular de Bauru (Cegehm) e integrante da Comissão de Bioética e Biodireito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Esiquiel de Miranda, a diversidade dos testes está justamente no DNA utilizado.

“O exame de paternidade é baseado em genes de DNA nucleares, que estão contidos nos 46 cromossomos. Essa é a conhecida investigação de vínculo genético. Já o teste conhecido como DNA materno é feito através da análise da carga genética obtida junto às mitocôndrias”, explica Miranda.

Em suas explanações, o geneticista ressalta que a mitocôndria é a única organela fora do núcleo da célula que contém DNA, por isso sua carga genética recebe o nome de DNA mitocondrial. “Todo mundo tem mitocôndria e toda mitocôndria vem da mãe”, frisa o professor.

O homem não transmite a organela para seus filhos porque as mitocôndrias ficam na cauda dos espermatozóides, fornecendo energia para que eles possam se movimentar. No momento da fecundação, apenas o núcleo do gameta entra no óvulo.

A partir do momento da concepção, a célula feminina fecundada tem 72 horas para chegar ao útero. Nesse período, ela precisa de energia para se dividir, o que é alcançado também através das mitocôndrias, mas somente as maternas. “Por essa razão, em todas as pessoas que eu for analisar, só vou encontrar o DNA das mulheres daquela família”, conta Miranda.

Estudos que visam levantar dados referentes à migração dos povos também são realizados através da análise das mitocôndrias. Pesquisas étnicas já são desenvolvidas com o mesmo procedimento, informa o geneticista.

“Só com a avaliação do plasma sangüíneo, onde posso encontrar as organelas, posso saber se uma mulher é judia, se é japonesa ou africana. Posso pesquisar, ainda, se houve troca de bebês na maternidade”, ressalta o professor.

Apesar dos benefícios, o DNA mitocondrial pode transmitir cerca de quatro mil doenças genéticas, a maioria graves. Um tipo de deficiência auditiva, por exemplo, está sendo estudado por especialistas da área.

Paternidade na berlinda

Enquanto o teste de maternidade está se popularizando agora, o exame de paternidade já tornou-se corriqueiro. Contudo, erros em exames dessa natureza têm colocado em cheque a credibilidade de muitos laboratórios. Essa é a opinião do geneticista. Preocupado com essa situação, ele tem investido em equipe técnica e procedimentos que garantam confiabilidade aos exames de paternidade. “Por respeito aos meus pacientes, recorro aos testes de Impressões Digitais de DNA. Trata-se de uma forma de identificação baseada em estudo do DNA com sondas moleculares, produzidos pela engenharia genética”, explica. Através da técnica, a chance de um erro ser registrado é de um em 100 milhões de testes, quando muitos laboratórios ainda trabalham com um nível de erro de um a cada 10 mil exames. Acostumado a responder perguntas de interessados, o geneticista Esiquel de Miranda se coloca à disposição para possíveis questionamentos através do e-mail cegehm@terra.com.br

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