A nota do Exame Nacional de Cursos, o Provão, é, para muitos alunos, o principal referencial na hora de prestar o vestibular. A credibilidade da faculdade aferida pela nota obtida no exame, para parte dos estudantes tem influência no mercado de trabalho.
A diretora de um colégio que oferece curso pré-vestibular em Bauru, Sônia Maria Mozer, diz que tem observado que, na ótica dos alunos, a nota do Provão passou a ser um indicativo de que o curso oferecido pela instituição de ensino é bom ou ruim. “O Provão passou a ser referência na hora da escolha. Para eles, se a nota foi A é porque o curso foi satisfatório e o seu diploma será de uma escola com nome consolidadoâ€, explica.
A vestibulanda Mariana Rocha Mello, 18 anos, moradora de Iacanga, faz parte do grupo de estudantes que considera a nota do Provão fundamental na escolha da faculdade. “Estou sem referência porque nos dois últimos anos os alunos de arquitetura das universidades que eu pretendo entrar boicotaram o Provão. Eu acho fundamental como indicadorâ€, frisa.
Para ela, além de ser uma segurança a mais, a nota do exame garante o aluno para entrar no mercado de trabalho. “Eu me sentiria mais segura na hora de ingressar no mercado de trabalho. Saberia que o que aprendi seria suficiente para me responsabilizar por uma obraâ€, diz.
A nota do Provão, na opinião de Mozer, quase determina a credibilidade no mercado de trabalho. “Os alunos acreditam que a credibilidade da escola vai influenciar no mercado de trabalho, na hora de arrumar empregoâ€, diz.
Mas o ingresso à universidade envolve muitas variáveis, lembra Mozer. Segundo ela, apesar dos alunos criticarem a qualidade de ensino de muitas universidades, acabam optando por elas devido à questão econômica. “A distância da casa dos pais e a manutenção em outra cidade são fatores determinantes na hora da escolha. Nem todos têm condições financeiras para issoâ€, ressalta.
Na opinião da diretora, o aluno, antes de avaliar a instituição de ensino, deve saber escolher a profissão. “Quando o estudante faz aquilo que gosta e alimenta um sonho, faz com prazer e muito bem. O sucesso depende do empenho de cada um. Como professora, eu acho que ainda é cedo para fazer um juízo sobre as notas do Provãoâ€, orienta.
Na opinião do vestibulando Fabrício Cardoso Kiyomura, 17 anos, a nota do Provão é essencial na escolha da faculdade. “Para mim, é garantia no mercado de trabalho. A instituição de ensino tem que ter credibilidadeâ€, comenta.
O estudante acredita que as universidades estaduais ainda lideram o ranking das melhores. “Eu não prestaria vestibular em uma escola sem crédito, porque encontraria dificuldades na hora de encontrar um empregoâ€, afirma.
“Vai fazer a diferençaâ€
As notas do Provão são referenciais para a estudante Anita Maria dos Santos, 19 anos, que pretende prestar vestibular para psicologia. â€œÉ pela nota do Provão que você vê como está a qualidade do ensino.â€
Para ela, no futuro, a seleção no mercado de trabalho vai considerar muito a instituição em que o candidato se diplomou. â€œÉ o que vai diferenciar um do outro. É o meu aprendizado que estou colocando em prova.â€
A nota do Provão é mais um referencial para o vestibulando José Guilherme Pessoto Guimarães. Ele acha que a tradição que a instituição carrega pelos anos de funcionamento é outro fator que deve ser considerado na hora de decidir em qual iniversidade ingressar.
Na opinião dele, o estudante deve avaliar os profissionais que se formaram naquela instituição. “O carisma que você pode alcançar se formando numa instituição dessa gera um reconhecimento extra.â€
Abre portas
Na opinião do vestibulando Fabrício Cardoso Kiyomura, 17 anos, a nota do Provão é essencial na escolha da faculdade. “Para mim é garantia no mercado de trabalho. A instituição de ensino tem que ter credibilidadeâ€.
O estudante acredita que as universidades estaduais ainda lideram o ranking das melhores. “Eu não prestaria vestibular em uma escola sem crédito, porque encontraria dificuldades posteriores, na hora de conseguir emprego.â€
Nota do exame altera ranking das escolas
Gerson Trevisani, diretor de uma instituição de ensino superior de Bauru, confirma que grande parte dos vestibulandos está se norteando pela nota do Provão na escolha da iniversidade. “Especialmente os alunos com melhor desempenho no 2.º grau, se preocupam com a avaliação da instituição de ensinoâ€, frisa.
Para Trevisani, o conceito de que as escolas públicas de ensino superior são melhores está sendo derrubado em função das notas do Provão. “Hoje existem muitas escolas melhores do que muitas públicas. Pela nota recebida no Provão, várias faculdades se impuseram no mercado. É o caso do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, matemática na PUC do Rio de Janeiro e assim por dianteâ€, conta.
Por outro lado, algumas faculdades perderam mais da metade de seus alunos por terem recebido notas baixas no Provão. “Claro que ainda é um processo que vai ser aperfeiçoado, mas é a única referência que o vestibulando tem para definir se a escola que ele está optando é boa ou nãoâ€, diz.
As escolas com notas boas no Provão apresentam um índice maior de concorrência no vestibular. “Tem escolas privadas de curso superior que estão com dez candidatos para cada vaga e em outra, no mesmo curso, tem vagas sobrandoâ€, ressalta.
Trevisani acredita que o mercado de trabalho vai exigir prova da qualidade, no futuro. “Não tenha dúvida. No mercado de trabalho não dá para falar ainda porque o Provão começou há quatro ou cinco anos atrás. A tendência é que no futuro isso aconteçaâ€, observa.
Sobrevivência
Diretor pedagógico de um cursinho pré-vestibular de Bauru, Pedro Ticianeli acha que o Provão deu credibilidade às instituições de ensino superior apesar da resistência dos alunos. “Eu acho que foi um caminho para melhorar o ensino superior no País.â€
Para ele, a avaliação serviu para acabar com o amadorismo no ensino superior.â€As universidades que tiraram notas baixas no Provão estão modificando o esquema de seu funcionamento. O corpo docente já tem mestrado e doutorado; a questão é de sobrevivênciaâ€, afirma Ticianeli.
Na opinião dele, o processo é automático.â€Como o ministro da Educação disse, as instituições vão fechar, não é ele que vai fechar. Aquelas que não se adequarem, não terão alunos.â€
Ele acredita que daqui um tempo, as empresas vão avaliar os candidatos também pelo diploma. “Logicamente que o aluno não vai escolher uma faculdade ou universidade que tenha obtido notas baixas, porque ele sabe que na disputa por uma vaga será levado em conta a instituição em que ele foi diplomado.