Saúde

Doenças silenciosas são alvo de projeto

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Os primeiros resultados de um mutirão de saúde realizado em Bauru desde março deste ano mostram que parte da população está doente e não sabe. São vítimas das chamadas doenças silenciosas - patologias que não causam sintomas e dependem de exames periódicos para serem descobertas. Sem tratamento, porém, podem matar.

Os dados foram obtidos pelo projeto “Unimed no Bairro”. Uma vez por mês, médicos da cooperativa montam “acampamento” em um bairro da cidade e realizam diversos exames. Os números iniciais são dos bairros Jardim Redentor, Núcleo Mary Dota e Jardim Terra Branca.

Os principais alvos da campanha são diabetes, colesterol, pressão arterial e obesidade. Esta última ficou entre os problemas mais graves. De acordo com a assessoria de imprensa da Unimed, 63,8% do total de pessoas examinadas estavam acima do peso, em comparação à altura.

Apenas 27,9% dos indivíduos examinados apresentaram peso normal e outros 8,3% estavam abaixo do peso ideal. Dentre os “rechonchudos”, 37,5% estavam com sobrepeso (pouco acima do normal); 25,2% deles foram considerados obesos (com 20% além do peso ideal, estão em situação preocupante); e 1,1% apresentaram obesidade mórbida, que é um problema gravíssimo de saúde.

O cálculo do peso ideal pode ser obtido através do Índice de Massa Corpórea (IMC). Multiplica-se a altura da pessoa pelo mesmo valor (altura ao quadrado) e divide-se o peso pelo número obtido na primeira conta.

Se o resultado for menor que 20, a pessoa está abaixo do peso; entre 20 e 24,9, peso normal; de 25 a 29,9, sobrepeso; de 30 a 39,9, o indivíduo está obeso; e acima de 40, caracteriza-se a obesidade mórbida.

Assim, para alguém com 1,60 metro de altura (1,60 x 1,60 = 2,56) e 67 quilos, o cálculo é 67 : 2,56 = 26,17. Este indivíduo estaria com sobrepeso.

Segundo a Unimed, o percentual de homens com sobrepeso é de 42,9% dos 855 examinados, enquanto as mulheres são 34,7% do total de 1.613. Já a obesidade atinge 21,5% dos homens, contra 27,1% das mulheres. Ficou com elas, também, o maior índice de obesidade mórbida: 1,4%, contra 0,6% dos homens analisados.

Diabetes

A taxa de glicemia (açúcar) no sangue dos pacientes foi outro índice que preocupou os médicos no mutirão da cooperativa. Nos primeiros três bairros visitados, 11,2% das 2.399 pessoas examinadas apresentaram nível acima de 160, o que é considerado alteração grave.

Entre os homens, a taxa de glicemia estava superior a 160 em 126 dos 945 exames (13,4%). No caso das mulheres, foram 143 das 1.454 (9,8%) atendidas. Um total de 462 exames (19,3%) tinha níveis que exigem alerta (entre 120 e 160). A taxa de glicemia apresentou-se normal em 69,5% dos casos.

De acordo com o diretor da Unimed e idealizador do programa, Osvaldo Rodrigues Azenha Júnior, os percentuais apontados no mutirão mantêm a média nacional. Porém, ele alerta que o desconhecimento da doença pode agravar o quadro do paciente.

O controle da taxa de glicemia depende de uma combinação adequada entre atividade física e dieta especial. Sem esses cuidados, o nível de açúcar do sangue pode subir demais e resultar em danos graves à saúde. O tratamento adequado permite controle da doença e garante qualidade de vida ao portador do diabetes.

Coração à prova

Os resultados dos exames realizados nas três primeiras edições do projeto “Unimed no Bairro” (Jardim Redentor, Núcleo Mary Dota e Jardim Terra Branca) também apresentaram alterações importantes nas taxas de colesterol e nos níveis de pressão arterial. Ambos podem trazer graves seqüelas ao coração.

O colesterol é um tipo de gordura que, quando em excesso, deposita-se nas paredes internas das artérias (grandes vasos que distribuem sangue no organismo). Quando esse acúmulo é muito grande, pode entupir a passagem do sangue e causar um infarto ou um derrame cerebral.

Segundo a assessoria de imprensa da Unimed, 86,2% das pessoas examinadas apresentaram níveis adequados de colesterol no sangue. Porém, 10,2% (220 pessoas) tinham níveis entre 220 e 260 (situação preocupante) e 3,6% (39 pessoas) tinham mais de 260 (taxa altíssima e grave).

No caso da pressão arterial, 85,1% das 2.952 pessoas que fizeram a medição mantinham-se em condição de normalidade, ou seja, com pressão diastólica (chamada mínima) em 90 milímetros de mercúrio (mm/Hg). As alterações foram menos freqüentes entre as mulheres - 13,1% tinham mínima inferior a 90 mm/Hg. No caso dos homens, esse percentual chegou a 18%.

Segundo especialistas, além do coração, a hipertensão arterial, popularmente chamada pressão alta pode causar lesões em várias outras partes do corpo, como cérebro, rins e olhos. O problema é que a alteração não apresenta sintomas. A única maneira de descobrir a doença é fazer controle periódico.

A verificação da pressão arterial pode ser feita gratuitamente em qualquer núcleo de saúde. Havendo alterações, é preciso procurar um cardiologista. Só um tratamento adequado pode livrar o portador de complicações.

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