Os primeiros resultados de um mutirão de saúde realizado em Bauru desde março deste ano mostram que parte da população está doente e não sabe. São vítimas das chamadas doenças silenciosas - patologias que não causam sintomas e dependem de exames periódicos para serem descobertas. Sem tratamento, porém, podem matar.
Os dados foram obtidos pelo projeto “Unimed no Bairroâ€. Uma vez por mês, médicos da cooperativa montam “acampamento†em um bairro da cidade e realizam diversos exames. Os números iniciais são dos bairros Jardim Redentor, Núcleo Mary Dota e Jardim Terra Branca.
Os principais alvos da campanha são diabetes, colesterol, pressão arterial e obesidade. Esta última ficou entre os problemas mais graves. De acordo com a assessoria de imprensa da Unimed, 63,8% do total de pessoas examinadas estavam acima do peso, em comparação à altura.
Apenas 27,9% dos indivíduos examinados apresentaram peso normal e outros 8,3% estavam abaixo do peso ideal. Dentre os “rechonchudosâ€, 37,5% estavam com sobrepeso (pouco acima do normal); 25,2% deles foram considerados obesos (com 20% além do peso ideal, estão em situação preocupante); e 1,1% apresentaram obesidade mórbida, que é um problema gravíssimo de saúde.
O cálculo do peso ideal pode ser obtido através do Índice de Massa Corpórea (IMC). Multiplica-se a altura da pessoa pelo mesmo valor (altura ao quadrado) e divide-se o peso pelo número obtido na primeira conta.
Se o resultado for menor que 20, a pessoa está abaixo do peso; entre 20 e 24,9, peso normal; de 25 a 29,9, sobrepeso; de 30 a 39,9, o indivíduo está obeso; e acima de 40, caracteriza-se a obesidade mórbida.
Assim, para alguém com 1,60 metro de altura (1,60 x 1,60 = 2,56) e 67 quilos, o cálculo é 67 : 2,56 = 26,17. Este indivíduo estaria com sobrepeso.
Segundo a Unimed, o percentual de homens com sobrepeso é de 42,9% dos 855 examinados, enquanto as mulheres são 34,7% do total de 1.613. Já a obesidade atinge 21,5% dos homens, contra 27,1% das mulheres. Ficou com elas, também, o maior índice de obesidade mórbida: 1,4%, contra 0,6% dos homens analisados.
Diabetes
A taxa de glicemia (açúcar) no sangue dos pacientes foi outro índice que preocupou os médicos no mutirão da cooperativa. Nos primeiros três bairros visitados, 11,2% das 2.399 pessoas examinadas apresentaram nível acima de 160, o que é considerado alteração grave.
Entre os homens, a taxa de glicemia estava superior a 160 em 126 dos 945 exames (13,4%). No caso das mulheres, foram 143 das 1.454 (9,8%) atendidas. Um total de 462 exames (19,3%) tinha níveis que exigem alerta (entre 120 e 160). A taxa de glicemia apresentou-se normal em 69,5% dos casos.
De acordo com o diretor da Unimed e idealizador do programa, Osvaldo Rodrigues Azenha Júnior, os percentuais apontados no mutirão mantêm a média nacional. Porém, ele alerta que o desconhecimento da doença pode agravar o quadro do paciente.
O controle da taxa de glicemia depende de uma combinação adequada entre atividade física e dieta especial. Sem esses cuidados, o nível de açúcar do sangue pode subir demais e resultar em danos graves à saúde. O tratamento adequado permite controle da doença e garante qualidade de vida ao portador do diabetes.
Coração à prova
Os resultados dos exames realizados nas três primeiras edições do projeto “Unimed no Bairro†(Jardim Redentor, Núcleo Mary Dota e Jardim Terra Branca) também apresentaram alterações importantes nas taxas de colesterol e nos níveis de pressão arterial. Ambos podem trazer graves seqüelas ao coração.
O colesterol é um tipo de gordura que, quando em excesso, deposita-se nas paredes internas das artérias (grandes vasos que distribuem sangue no organismo). Quando esse acúmulo é muito grande, pode entupir a passagem do sangue e causar um infarto ou um derrame cerebral.
Segundo a assessoria de imprensa da Unimed, 86,2% das pessoas examinadas apresentaram níveis adequados de colesterol no sangue. Porém, 10,2% (220 pessoas) tinham níveis entre 220 e 260 (situação preocupante) e 3,6% (39 pessoas) tinham mais de 260 (taxa altíssima e grave).
No caso da pressão arterial, 85,1% das 2.952 pessoas que fizeram a medição mantinham-se em condição de normalidade, ou seja, com pressão diastólica (chamada mínima) em 90 milímetros de mercúrio (mm/Hg). As alterações foram menos freqüentes entre as mulheres - 13,1% tinham mínima inferior a 90 mm/Hg. No caso dos homens, esse percentual chegou a 18%.
Segundo especialistas, além do coração, a hipertensão arterial, popularmente chamada pressão alta pode causar lesões em várias outras partes do corpo, como cérebro, rins e olhos. O problema é que a alteração não apresenta sintomas. A única maneira de descobrir a doença é fazer controle periódico.
A verificação da pressão arterial pode ser feita gratuitamente em qualquer núcleo de saúde. Havendo alterações, é preciso procurar um cardiologista. Só um tratamento adequado pode livrar o portador de complicações.