Tribuna do Leitor

JOÃO AMAZONAS


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Araguaia, 30 anos depois, recebe João Amazonas. Neste ano, nos meses de abril e maio, muitos foram os atos, sessões solenes, homenagens, preparação de museus, memoriais, aulas e visitas à região do Araguaia para lembrar na tentativa de recontar uma fase da vida de nosso povo que ficou obscurecida pelas forças de repressão e da história oficial: a Gerrilha do Araguaia, que completou 30 anos de início dos combates, exatamente no dia 12/4/72.

A guerrilha tem despertado o interesse em jornalistas, pesquisadores e historiadores. É uma página gloriosa na história das lutas do povo brasileiro, em especial do partido comunista do Brasil-PCdoB, que completou também seus 80 anos no dia 25/3.

Coincidentemente, no dia 27/5 o partido perdeu seu líder maior, João Amazonas, que faleceu aos 90 anos. Entre 1968 e 1972, Amazonas participou ativamente da organização da Guerrilha do Araguaia, o principal movimento de contestação armada ao regime militar. A ação militar durou três anos, encerrando-se em 1975 em pleno governo do General Geisel. Foram mortos dirigentes e uma centena de jovens comunistas, entre eles os irmãos Petit, Lúcio, Jaime e Maria Lúcia, a bauruense morta em 1974 e que tem seus restos mortais desde 16/6/96 no cemitério do Ipê de Bauru e que foi a primeira a ser desenterrada e identificada na região. Também foram torturados, perseguidos e mortos moradores, camponeses do sul do Pará por um contingente de 2,5 mil militares das Brigadas de Infantaria da Selva, aviões, helicópteros da FEB e lanchas da marinha.

Quase nada se conhece dessa história. Várias têm sido as visitas à região por parlamentares, representantes de instituições nacionais e internacionais de direitos humanos. A revista Veja de 13/10/93, publicou: “Os documentos sobre os episódios da luta armada, sejam sobre a guerrilha no Araguaia ou urbana, só devem ser revelados daqui a 50 ou 100 anos”, dizia o General Goberto Serra do Ministério do Exército.

Pouco a pouco, a guerrilha começa a entrar para a história oficial na região de Xamboiá no Tocantins. Em 2001, uma caravana de deputados, historiadores e jornalistas se dirigiram ao Araguaia na pista dos desaparecidos para resgate da história e das covas. Os vereadores do município aprovaram a criação de um Museu da Guerrilha para abrigar objetos relacionados, biblioteca e espaços para oficina de arte. São poucas as peças remanescentes e a expectativa é encontrá-las entre os moradores da região, mas a tentativa é preservar a memória. O arquiteto Oscar Niemeyer desenhou um projeto para construção de um memorial.

Assim, enquanto esses projetos não se concretizam, um singelo obelisco construído pelo arquiteto marcará a chegada de um brasileiro ilustre, que certa vez ao ser homenageado afirmou: “Passei metade da minha vida perseguido. Se tenho alguma qualidade a destacar na minha vida, é a mesma de todo cidadão brasileiro: a de lutar.” E, que nesse dia 21/6 terá seu último desejo atendido, deixado em carta de próprio punho: “Que as cinzas de meu corpo cremado sejam lançadas na região do Araguaia, nas selvas da Amazônia, onde houve a Guerrilha. É uma forma de juntar-me aos que lá tombaram”. (Majô Jandreice - Vereadora - PC do B/Bauru)

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