Em tempos de tanta turbulência no mercado financeiro, para os pequenos investidores de perfil conservador continua valendo - e muito - a tradicional opção de proteger seu capital na Caderneta de Poupança ou no CDB. Para quem está disposto a inovar e conhecer o mercado de ações, essa modalidade também é possível para quem não tem altas quantias. Em resumo, o momento pede a opção pela simplicidade.
Com tantas oscilações e após as perdas registradas nos fundos de renda fixa terem assustado até mesmo os que têm intimidade com a economia brasileira, o Jornal da Cidade consultou economistas e corretoras de valores para orientar as pessoas que têm dinheiro aplicado ou querem aplicar.
O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo César Cafeo, diz que para os pequenos investidores que têm dinheiro nos fundos fixos (como o DI) e não contabilizaram prejuízos significativos mas estão com medo de continuar, o melhor é sair dessa aplicação. Caso a decisão seja de continar investindo no mercado financeiro, se o valor da aplicação for de até R$ 5 mil é possível continuar com rendimentos muito parecidos no CDB, por volta de 0,8% ao mês.
“Essa aplicação será idêntica à dos fundos com a diferença de não estar comprando títulos do governoâ€. Mas entre 0,8% líquido do CDB e 0,7% da poupança, essa última é melhor para quem for aplicar até R$ 5 mil, porque com esse valor não é possível conseguir taxas melhores no CDBâ€, orienta o economista.
Poupança
Para o pequeno investidor conservador, a Caderneta de Poupança também é aconselhada pelo economista Said Yusuf Abu Lawi. “Para esse público, a poupança é a melhor opção no momento. Os fundos estão rendendo ao mês, líquido, o mesmo patamar da poupança. Contudo, toda migração deve ser feita lentamente para não causar turbulência na economiaâ€, adverte.
Do ponto de vista de proteção de capital, investir em dólar é desaconselhável para os pequenos. A cotação está muito elevada e existe a tendência, segundo Cafeo, do governo vender dólares e o mercado pode se estabilizar entre R$ 2,65 e R$ 2,70. “Comprar dólar nessa situação é perder dinheiroâ€, afirma o delegado do Corecon.
Muitos pensam em outra opção tradicional, que é o mercado imobiliário. Segundo Cafeo, se o setor passar por um reaquecimento haverá aumento de demanda e, conseqüentemente, do valor dos imóveis. “Por isso, só recomendo a opção do imóvel se for localizado numa região em que exista perspectiva de melhoria e valorização do bem ao longo tempo, ou se a pessoa conseguir fazer negócio com preço um pouco abaixo do mercadoâ€, diz.
Ouro
Lawi diz que o mercado de imóveis é seguro, porém, não indicado para quem precisa de rendimento imediato. Uma boa aplicação, na opinião dele, é o ouro. “O ouro pode ser convertido em qualquer lugar do mundo. Não oferece liquidez imediata, mas é altamente seguroâ€, orienta o economista.
Quem tem valores significativos para aplicar, a orientação de Cafeo é de que o investidor distribua e diversifique as aplicações. Comprar obras de arte e ouro é indicado por ele para pessoas que não precisam de rentabilidade e querem apenas proteger o dinheiro. Os bens reais são excelentes para isso.
“O momento é de simplificar as coisas. O ideal é proteger o capital onde a pessoa tem um certo domínio para poder, de alguma forma, acompanhar. Isso porque os pequenos investidores não têm acesso a informações e orientações privilegiadas que indiquem a hora certa de agir e de sair de cenaâ€, destaca.
O mercado de ações é opção para os investidores mais arrojados, mesmo sendo considerados pequenos. Trata-se de uma área que registra muitas oscilações e oferece riscos, por isso, é preciso estar preparado para esse mercado, na opinião de Cafeo. Contudo, com valores a partir de R$ 100,00 já é possível aplicar em bolsa de valores, mas a partir de R$ 1 mil torna-se mais interessante.
Para quem tem acima de R$ 10 mil, o economista não indica aplicar mais do que 25% do dinheiro disponível - sempre em ações de primeira linha, sob a orientação de uma corretora de valores, para fugir das fortes oscilações do mercado, orienta o delegado do Corecon.
Ações
Lúcia Maria da Silva, operadora de uma corretora de valores em Bauru, diz que tem crescido significativamente o número de pequenos investidores que estão apostando no mercado de ações. A empresa possui um “clube de açõesâ€, que funciona como um fundo de investimentos, voltado para aplicações menores. A cota mínima para participar é de R$ 1 mil e os investimentos têm girado em torno de até R$ 30 mil.
Segundo Lúcia, o clube foi criado em dezembro do ano passado e, nos últimos três meses, foi registrado um aumento de aproximadamente 50% na quantidade de participantes. “Os pequenos investidores estão visualisando o mercado de capitais agora. É claro que se trata de um mercado que sempre reserva algum risco. Contudo, o clube é o melhor caminho para quem quer entrar nesse mercado com toda a segurança que é possívelâ€, afirma a operadora.
De acordo com Lúcia, a corretora acompanha as ações do IBovespa, que seriam as mais líquidas do mercado. “Nós acompanhamos cerca de dez empresas que fazem parte do Índice Bovespa para não fugir muito do mercado. Então, quando for comprar ou vender ações, o pequeno investidor tem liquidezâ€, garante.