Cerca de 280 funcionários da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) de Bauru paralisaram suas atividades por quatro horas na manhã de ontem, como forma de pressão para que a empresa atenda às reivindicações salariais dos eletricitários.
Se as negociações não caminharem durante esta semana, a promessa do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT) é de que ocorram paralisações mais longas na semana que vem.
De acordo com o dirigente do Sinergia, Éverton Rodrigues de Matos, além da CTEEP, ontem pela manhã empresas de energia como a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) também pararam por algumas horas em cerca de dez cidades.
Em Bauru, a CPFL parou por cerca de uma hora, período em que o sindicato realizou uma assembléia informativa com os funcionários para discutir o andamento da campanha salarial.
Segundo Matos, trabalhadores da CTEEP cruzaram os braços em cinco cidades, consideradas “pontos estratégicosâ€. Das unidades que pararam ontem, o sindicalista afirma que houve mais de 90% de adesão. Em Bauru, onde a empresa tem aproximadamente 300 funcionários, a paralisação contou com a participação de 95% do pessoal.
Em todo o Estado, a empresa tem 3,1 mil funcionários - mais de mil apenas na cidade de São Paulo. Matos não soube especificar, no entanto, quantos funcionários da companhia pararam ontem.
No caso da CTEEP, a pauta de reivindicações do Sinergia pede reajuste salarial de 9,53%, além de um programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e garantia de que não vai haver demissões na empresa.
A companhia lançou à mesa de negociações uma contra proposta com reajuste de 5,5%, PLR desde que o governo aprove e garantia de emprego para 90% dos funcionários. Segundo Matos, o plano da CTEEP em Bauru é demitir cerca de 310 pessoas, o que equivale a 10% do quadro.
Para o sindicalista, o reajuste pedido é justo, pois contempla as perdas com a inflação a partir do índice calculado pelo Dieese - que foi de 9,3% acumulado no período dos útlimos 12 meses. “Nós não estamos pedindo 20% de aumento, queremos apenas que a empresa reponha o que nós perdemos com a inflaçãoâ€, observa Matos.
Emergência
De acordo com o sindicalista, a unidade da CTEEP de Chavantes deve parar hoje por quatro horas - das 7h30 às 11h30, a exemplo do que ocorreu ontem em Bauru. As paralisações estão sendo feitas de forma gradativa e a previsão é de que, se for necessário, as unidades parem o dia todo já na semana que vem. Em Bauru, isso ocorreria novamente na segunda-feira.
Segundo Matos, as paralisações não devem afetar o sistema de abastecimento de energia elétrica. Pelo menos “teoricamenteâ€, diz o sindicalista.
Matos explica que a unidade da CTEEP de Bauru concentra quase todo o serviço de manutenção de equipamentos como disjuntores, transformadores e capacitores da companhia. Por isso, a cidade seria um “ponto central†para o movimento grevista. “Parando aqui, compromete a manutenção dos equipamentosâ€, afirma.
De acordo com o Matos, serviços de emergência, como a queda de uma torre, não causariam maiores danos ao abastecimento, pois o sindicato e as companhias entraram em acordo para manter equipes à disposição.
“Por ser serviço de energia elétrica, que é essencial, caso aconteça alguma emergência a equipe é disponibilizada para trabalharâ€, garante Matos.
De acordo com o sindicalista, a próxima rodada de negociações entre sindicato e companhias do setor está agendada para a próxima quinta-feira, em São Paulo.