Pesca & Lazer

Multiplicar animais aquáticos movimenta R$ 300 milhões no Brasil


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Uma receita anual de R$ 300 milhões é gerada no Brasil por criatórios de águas doces e salgadas. A arte de multiplicar animais e plantas aquáticas, chamada de aquicultura, produz anualmente 115 mil toneladas, 14% de camarões marinhos e 80% de peixes de água doce.

Esses dados foram apresentados terça-feira, em Goiânia, durante Seminário Brasileiro de Aqüicultura na Exposição Agropecuária de Goiás. Lá a técnica Léa Maria Lagares, da área de Agronegócios do Sebrae Nacional, apresentou a metodologia elaborada pela instituição para o desenvolvimento da cadeia produtiva aqüicola.

“A cadeia produtiva deve envolver desde a produção de insumos, passando pela produção das espécies e pelo beneficiamento até chegar à comercalização”, ensina a técnica. â€œÉ preciso criar grupos de produtores, onde o concorrente vira parceiro na exportação”.

São Francisco

Hoje estima-se que o Brasil conta com cerca de 100 mil produtores e uma área alagada de 80 mil hectares, equivalente a 115 mil campos de futebol. Um dos pólos emergentes do setor está na região do baixo São Francisco, responsável por um novo impulso na economia de Alagoas e Sergipe.

Lá 650 pequenas e médias criações de peixes em viveiros, principalmente para a reprodução de tilápia. É o terceiro pólo de aquicultura do país em potencialidade, com uma produção prevista de 6 mil toneladas/ano e um faturamento estimado em R$ 18 milhões. Em 2000 foram 3 mil toneladas.

O pólo toma fôlego, com investimentos de porte nas áreas de tecnologia, produtividade e capacitação. As expectativas estão voltadas para quatro grandes projetos que vão permitir um salto no setor.

Até o final do ano a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) inaugura, em Porto Real do Colégio (AL), o Centro de Referência de Aqüicultura (Ceraqua). É um investimento da ordem de R$ 2,5 milhões que vai garantir a criação de alevinos – com foco na tilápia - de alta qualidade e servir de vitrine para atrair investidores nacionais e estrangeiros.

Em Penedo (AL), produtores privados estão investindo R$ 2,5 milhões através de linha de crédito do Banco do Nordeste na primeira unidade de processamento industrial da tilápia, em fase final de aprovação pelo Ministério da Agricultura. Em uma primeira etapa, a unidade vai produzir 3 mil toneladas/dia de peixe filetado e em polpa.

O Velho Chico, apelido carinhoso do rio São Francisco, acaba de ganhar também um aporte de R$ 1,8 milhão do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas) por meio do Projeto de Desenvolvimento das Regiões Estuarinas de Alagoas e Sergipe.

O quarto projeto é a chegada da empresa uruguaia Infopesca, que em convênio com FAO, órgãos das Nações Unidades para a agricultura e alimentação, vai realizar o mais completo estudo de mercado na região, capacitar mão-de-obra feminina e criar o selo de qualidade Tilápias do São Francisco.

Reconhecida no país como a área de maior potencial para o desenvolvimento da piscicultura em águas continentais doces da América Latina, o baixo São Francisco deve apresentar resultados espetaculares na produção.

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