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Se a economia fosse como o futebol


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A Seleção Brasileira, desacreditada, chega a mais uma final da Copa do Mundo de futebol. Sem ser um time brilhante, optou por ser operário, se valendo, além desse aspecto, de algumas estrelas que fazem a diferença. Você deve estar estranhando falar de futebol em artigo econômico. É que estou pensando intimamente como seria a economia se ela fosse como o futebol.

Você teria um treinador que sai do dia-a-dia, da rotina dos clubes de futebol e, portanto, consegue enxergar o todo sem compromissos localizados. Um presidente do Banco Central, independente, poderia ter uma visão muito melhor do conjunto da economia.

O técnico do Brasil foi jogador de futebol, portanto, conhece as manhas dos jogadores. Falta à equipe econômica conhecer melhor o mundo real, onde as coisas acontecem, portanto, falta-lhe a malícia que sobra nestes treinadores.

Quando é necessário o espírito de corpo, a opção do treinador é abrir mão de algum talento que pode causar problemas à equipe (Romário, Djalminha, etc). O jogo político força ter na equipe técnica do governo até pessoas que não comungam da mesma ideologia.

O treinador conhece seus jogadores. Quando todos esperam que haja forte mudança no intervalo (o Ronaldo não jogava bem no primeiro tempo) a opção é por mantê-lo, e ele acaba fazendo o gol da vitória (nem que seja de bico). A equipe econômica não conhece esses caminhos. Demora em mudar o rumo das coisas e quando o faz, abala o mercado (vide títulos públicos, juros, etc).

Mesmo tendo um limitado time na defesa, consegue tomar poucos gols. Prevalecem os operários. De vez em quando, um dos zagueiros quer esnobar. O treinador chama-o e fala: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”. Na condução econômica por vezes prevalece a retórica, o discurso, como se todos que estão falando “chuta de primeira, não dificulte”, estivem errados.

E finalmente um time vencedor tem que privilegiar a simplicidade. Toda vez que os atacantes querem dar mais um toque, driblar em excesso, tocar de calcanhar, acabam irritando a todos e geram contra-ataques. O time do Brasil praticou, na maior parte do tempo, a simplicidade. No caso da economia nacional, complicamos demais. Privilegiamos os indicadores econômicos em detrimento aos indicadores sociais.

Enfim, o futebol está sendo eficiente (mesmo que perca a Copa - tomara que não) porque, apesar de não ter feito um planejamento firme das eliminatórias, ao ir para a Copa levou a sério, mentalizou os objetivos e jogou com o regulamento na mão. No caso brasileiro perdemos o foco, deixamos os interesses corporativos prevalecer, optamos pela reeleição em detrimento das reformas e temos um modelo frágil, susceptível a crises internacionais.

Quem sabe com mais determinação a economia efetivamente pudesse alcançar os resultados do futebol. Afinal, tanto em um como no outro há inchaço, corruptos, políticos, mas quando coisa é nas quatro linhas, a coisa anda. Mesmo. (Reinaldo Cafeo é Delegado do Corecon, economista e professor na ITE. E-mail: cafeo@neobiz.com.br)

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