Economia & Negócios

Sincopetro: distribuidoras aplicam preços semelhantes

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Homero Gomes, afirma que as pequenas diferenças nos preços de venda da gasolina comum entre postos de combustíveis da cidade se devem ao fato de que a maioria das distribuidoras aplica praticamente o mesmo preço de custo para seus revendedores.

Em relação à queda de valores verificada em alguns estabelecimentos nesta semana, Gomes afirma que se trata de promoções temporárias feitas por algumas companhias distribuidoras.

Conforme matéria publicada na edição de ontem do JC, um levantamento feito pelo Procon a pedido do procurador da República do Ministério Público Federal (MPF) Rodrigo Valdez de Oliveira constatou que, em 76 postos da cidade, a variação de preços do litro da gasolina comum gira em torno de R$ 1,77 a R$ 1,79, em média.

Diferenças tão mínimas levaram o procurador a solicitar à Secretaria de Direito Econômico (SDE) que seja feita uma investigação sobre possível prática de cartel entre postos da cidade.

Entretanto, nesta semana alguns estabelecimentos reduziram esses valores para R$ 1,46, R$ 1,45 e até mesmo R$ 1,399 - valores menores que o preço de custo médio do produto, que gira em torno de R$ 1,52. Por isso, o MPF também investiga a possível prática de dumping (venda de produto abaixo do preço de custo, caracterizada como deslealdade comercial) - conforme o JC também já divulgou.

“Fonte única”

“O grande problema é que o mercado está liberado em termos de preços, mas a fonte de obtenção de combustível da maioria das distribuidoras continua sendo uma só, que é a companhia Petróleo, pertencente ao Governo Federal. Então, não há como os postos aplicarem preços diferentes para o consumidor se as distribuidoras repassam valores praticamente iguais a seus revendedores, porque a fonte delas é a mesma. A diferença entre elas deve ser de, no máximo, R$ 0,02”, afirma Gomes.

Segundo ele, juntas as companhias Esso, Ipiranga, Petrobras, Shell e Texaco abasteceriam mais de 80% do mercado. “O ideal seria que as companhias tivessem outras fontes de captação de petróleo para que os preços ficassem mais diferentes. Mas isso ainda não acontece, porque fica muito caro”, observa.

Em relação às promoções que começaram a ser feitas nessa semana, Gomes afirma que estariam sendo realizadas pela Ipiranga, Shell, Esso e Petrobras. Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa da Ipiranga informou que trata-se de um fenômeno natural do mercado, movido pela concorrência acirrada no setor.

Competição

Segundo a assessoria, os próprios representantes (postos) da companhia solicitaram que os preços fossem reduzidos para poderem competir com mais força, já que desde o final da semana passada uma companhia que possui alguns postos em Bauru começou uma promoção e o preço da gasolina comum caiu, enquanto que em todos os outros estabelecimentos girava em torno de R$ 1,77 a R$ 1,79.

Questionado pela reportagem sobre a possível prática de preços abaixo de custo, o assessor de imprensa disse que não poderia dar detalhes sobre isso porque não estava no escritório da Ipiranga naquele momento para consultar preços.

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