Bairros

Jardim Solange sofre com obras inacabadas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Buracos, buracos, buracos. Essa é a “cara” do Jardim Solange desde que a Prefeitura Municipal de Bauru abandonou as obras de galerias para águas pluviais há cerca de um mês.

O cruzamento das ruas Antônio Osório e Gomes Berriel é um exemplo do que pode ser encontrado em diversos pontos do bairro.

Um enorme buraco foi aberto para a construção da caixa de conexão entre tubos (ligada às bocas-de-lobo). Os materiais há cerca de um mês estão jogados no local. A terra removida para a abertura da cratera virou um monte que agora tem até mato e pés de mamona - prova de que há um tempo considerável ninguém voltou a mexer no local.

“O buraco está tão velho que já cresceu até mato e mamona”, reclama a presidente da associação de moradores do bairro, Diva Dias.

Dois buracos próximos começaram a crescer e se interligaram, através de uma espécie de vala. Os moradores, preocupados, começaram a jogar entulhos e lixos para conter o problema.

O lixo, aliás, torna-se outro problema crítico que soma-se ao perigo que as obras inacabadas representam para as crianças do bairro, por exemplo. Em alguns locais, até mesmo vaso sanitário é possível encontrar nos buracos.

A presidente da associação de bairros mostra-se preocupada porque a tubulação aberta torna-se um atrativo para crianças, que brincam de entrar numa extremidade da tubulação de galerias e sair em outro local, algumas centenas de metros adiante, após percorrer o trecho subterraneamente.

“Pelo menos, como estava antes, não oferecia perigo às crianças. Não tinha galerias, mas também não tinha esses buracos no meio da rua”, reclama Diva, que já esteve pessoalmente na sede da Prefeitura Municipal para registrar suas queixas.

A moradora mostra-se preocupada com pessoas e carros que transitam à noite pelas ruas do bairro e correm o risco de acidentar-se em algum dos buracos. “De noite não dá coragem de sair na rua”, expõe.

Desperdício

Nos terrenos baldios do Jardim Solange, diversos tubos de concreto para galerias de águas pluviais estão depositados e expostos à ação do tempo e de adolescentes que, segundo moradores, destroem os materiais depositados ali.

Além dos materiais, a própria parcela do serviço executado corre o risco de ser perdida. É o que afirma o engenheiro da Secretaria Municipal de Obras, Juranir Salas Berbel. “Se estiver crítico, nós enterramos novamente os buracos para depois reabrir novamente. Só que isso representa mais serviço”, diz.

Uma casa da quadra 2 da rua José Tomaz Ferreira está com a entrada comprometida porque os funcionários municipais iniciaram a execução das bocas-de-lobo. Mais um buraco ficou aberto, já que o serviço está inacabado. Desta vez, o problema mora no portão de uma das casas do bairro.

Obras

O engenheiro Berbel, da Secretaria de Obras, afirma que os serviços no Jardim Solange foram temporariamente interrompidos devido a outras prioridades que surgiram na cidade, para onde a equipe foi deslocada.

Os funcionários que antes estavam no Jardim Solange estariam agora no Jardim Eldorado e na avenida Jânio Quadros, solucionando problemas “inesperados”. “Esses trabalhos são demorados e temos uma equipe só. Temos que contornar pela gravidade”, alega.

O engenheiro, contudo, diz que cerca de 80% da rede principal de galerias já foram executados no Jardim Solange. Além do restante da rede principal, falta o serviço das bocas-de-lobo e das caixas de conexão.

A retomada das obras, no entanto, será feita por equipe terceirizada. Berbel afirma que a licitação deve ser aberta nos próximos dias e que, após a escolha da empresa vencedora, o prazo para o término será de cerca de 90 dias.

“Começamos essas obras mais ou menos em abril e acreditávamos que poderíamos concluí-las. Mas a realidade é que a obra está iniciada e vai ser terminada”, justifica.

Berbel destaca, ainda, que a Secretaria de Obras está executando obras de galerias para águas pluviais no Jardim Jussara, Parque Roosevelt, Pousada da Esperança II, Parque Bauru e Núcleo Mary Dota.

Moradores querem asfalto

Além do término das obras inacabadas de galerias de águas pluviais no Jardim Solange, os moradores estão ansiosos pela pavimentação do bairro, que solucionaria muitos problemas cotidianos da população.

A moradora Kátia Lima Dias mostra-se inconformada já que o recapeamento chegou até a esquina de sua casa, na avenida Comendador José da Silva Marta, mas não entrou no bairro.

“Em frente ao (condomínio) Shangrilá é uma maravilha. Mas aqui no bairro eu já estou há três anos e nunca passaram um trator”, reclama.

Não é difícil imaginar, como conta Kátia, que em época de chuvas as águas destroem boa parte das vias públicas, inviabilizando o trânsito.

A moradora diz que tem que pagar R$ 15,00 para que um trator melhore as condições de trânsito da sua quadra. Ela pede para que as pessoas observem o lado direito da avenida Comendador José da Silva Marta, que contrasta com o outro lado da via. “Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”, diz Márcia, utilizando o ditado popular para referir-se ao seu bairro.

Comentários

Comentários