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Falta de estatísticas pode mascarar o câncer bucal

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

A escassez de estatísticas relacionadas à área de saúde bucal no Brasil pode mascarar a situação de doenças importantes na terceira idade, como o câncer bucal e a perda dentária. A informação é da odontogeriatra Dalva Maria Pereira Padilha, que é pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul.

Ela esteve ontem em Bauru ministrando a palestra “A Odontologia dos 0 aos 100 anos: uma abordagem educativa, preventiva e restauradora”. O evento foi realizado na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), e promovido pela Secretaria Municipal de Saúde.

“Infelizmente, as questões estatísticas no Brasil, principalmente relacionadas à área de Saúde, são muito, muito escassas. Nós não temos um grande levantamento epidemiológico populacional sobre saúde bucal de idosos. Isso não existe no Brasil”, enfatiza Dalva.

Os estudiosos fazem uso de pesquisas realizadas esporadicamente em locais geograficamente isolados no Brasil. E, segundo a pesquisadora, esses poucos estudos já apontam para uma precariedade da saúde bucal em idosos.

Dalva ressalta que, associada à perda dentária, o câncer bucal é um dos mais preocupantes problemas de saúde bucal em idosos. Além disso, dentes cariados e doenças periodontais e de mucosas são freqüentes.

“A incidência de câncer bucal é maior a partir da terceira idade”, diz. A prevenção requer mudanças de hábito, como abandono de fumo e álcool, boa higiene bucal e alimentação saudável.

Outro problema que a odontogeriatra destaca é que muitas vezes os idosos não procuram o dentista por desconhecimento de suas necessidades odontológicas.

A perspectiva, segundo Dalva, é de que a perda dentária seja um problema cada vez menos freqüente no País em virtude da promoção de trabalhos educativos.

“Num futuro não muito distante, nós vamos ter indivíduos mais velhos com maior número de dentes. Só esse fato já é um motivo para chamar mais ainda a atenção sobre a necessidade de cuidados diferenciados para o paciente idoso”, salienta.

Bebês

A pesquisadora ressalta que a preocupação com saúde bucal do idoso não deve começar na terceira idade, mas desde o nascimento. “Esses hábitos, uma vez estabelecidos desde pequenos, podem se perpetuar ao longo da vida e, com isso, perpetuar uma perspectiva de saúde bucal”, expõe.

Ela conta que uma pesquisa realizada na UFRS pode melhorar esse quadro com atividades educativas que alcancem simultaneamente jovens e idosos. As pesquisadoras descobriram que cerca de 25% dos bebês pesquisados são cuidados pelas avós.

“Podemos atingir duas populações com uma só abordagem de promoção de saúde”. Nos programas para bebês, as mães ou responsáveis - que muitas vezes são as avós -, participam de palestras educativas antes do tratamento odontológico.

“Quando nós fazemos uma conferência ressaltando a importância do cuidado bucal diário para o paciente bebê, se o pessoal que está na platéia é idoso, podemos incluir coisas sobre particularidades da saúde bucal do idoso. Numa mesma atividade”, explica.

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