Barra Bonita - A despoluição do rio Tietê, apesar de ser um tema envelhecido, jamais deixou de ser uma preocupação de ambientalistas, em particular, e da comunidade, em geral. Três projetos, já aprovados ou em andamento, colocaram o assunto novamente em evidência, em Barra Bonita. Para evitar que a poluição do rio se agrave ainda mais, vale de tudo. De telas anti-sujeira à construção de lagoa de decantação de dejetos.
Por traz da maior parte desses projetos está a Organização Não Governamental (ONG) Mãe Natureza.
Por intermédio do deputado estadual João Caramez (PSDB), a ONG enviou um projeto ao governo do Estado pedindo a instalação de uma barreira para conter o lixo flutuante produzido pelos municípios da Grande São Paulo.
O deputado elaborou um projeto de lei sobre o assunto e agora aguarda sua votação na Assembléia Legislativa.
De acordo com Neto Sumares, membro da ONG, o governador teria mostrado simpatia pelo projeto. Durante uma visita à sede da ONG, Geraldo Alckmin (PSDB) teria prometido liberar os recursos, o mais rápido possível. Antes, no entanto, é preciso a aprovação dos deputados.
O projeto está orçado em R$ 250 mil. Seria dinheiro suficiente para a confecção e instalação de telas em trechos estratégicos do rio Tietê.
A idéia inicial, segundo Sumares, é pôr a tela em um trecho estreito do rio, que fique entre as cidades de Osasco e Santana de Parnaíba. Esse ponto do rio é considerado altamente poluído.
Por ele passa boa parte das 50 toneladas de lixo que são jogadas diariamente nas águas do Tietê, segundo dados da secretaria do Meio Ambiente.
A idéia do projeto, com a instalação das telas protetoras, é evitar que o lixo flutuante (garrafas plásticas, em sua maioria) comprometam o ecossistema do rio e o desenvolvimento sócio-econômico das cidades ribeirinhas.
Em vez disso, o lixo seria recolhido e enviado às empresas de reciclagem.
“Do jeito que está, nenhum empresário vai querer explorar as potencialidades do rio Tietêâ€, acredita Sumares.
De acordo com ele, antes de chegar à represa de Barra Bonita, o rio tem aproximadamente oito quilômetros de praia. Em determinados trechos, a largura do Tietê chegaria a sete quilômetros.
Para a ONG, essa beleza natural, desde que bem explorada, pode atrair muito investimento. A construção de hotéis e pousadas seria algumas das possibilidades.
A colocação das telas, segundo Sumares, não prejudicaria os peixes. Primeiro, porque não há oxigênio na água, naquele trecho, e por isso não há peixe. E, segundo, porque as telas devem ficar apenas 40 centímetros abaixo da superfície. O trecho também não é navegável.
A escolha do local ideal para a instalação da tela protetora será feita por técnicos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú.