São Paulo - A final da Copa estava por começar, mas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, várias pessoas andavam, faziam exercícios como em quase todas as manhãs. Desinteresse pelo jogo? Não. A maioria ali tentava fugir da ansiedade de estar diante de uma TV, onde a angústia de querer vencer e a impotência aceleram os batimentos cardíacos.
O único contato com a partida eram os gritos que vinham dos arredores, o som distante de rádios e TVs em altos volumes e os fogos. As explosões começaram no dia anterior, se intensificaram durante a madrugada e o início da manhã.
Quando Luiz Eduardo Corrêa de Melo e Luzia Cortes de Melo, de 55 e 53 anos, caminhavam pelo parque, os estouros se sucediam em intervalos mínimos, como se um espocar competisse com o outro, e todos anunciavam que a decisão havia começado. “O ambiente aqui é mais legal para torcerâ€, disse Melo. “Com aquela defesa que nós temos o melhor é vir andar.â€
Luzia considerava que diante da tela a angústia seria maior e ali se podia saber de tudo pelas reações da cidade. “E aqui você consegue descarregar as emoções.†Emoções e nervosismo que também tiraram de casa Cleusa Soares da Silva, de 43 anos. Habitualmente, ela vai ao Ibirapuera exercitar o corpo, os músculos. Ontem, no entanto, ela passou o período do jogo caminhando para relaxar, para acalmar os nervos. Assistir ao jogo para ela é exercício demais, tensão em excesso. “Fico muito nervosa e por isso escolhi vir para cá para me acalmarâ€.
Mas nem todos ficam tão nervosos. Malu de Castro, de 38 anos, não admite que o estresse seja a razão de ficar longe da TV. Para ela, a razão de ir ao Parque era meditar, mentalizar em favor da seleção. “Amo o futebol, só que o meu estilo de torcer é fazer meditaçãoâ€.
Caminhando com seus cães, Negão e Branquinha, ela disse não ter dúvida de que o Brasil venceria por 2 a 0. “Sou exemplo de pensamento positivoâ€, disse. “O que vou fazer diante de uma TV?†Em casa, ela acredita que não teria utilidade. No parque, cria ter condição de torcer mais. “Aqui estou com a força da naturezaâ€.
Mas avenida Paulista, tradicional ponto de encontro dos paulistanos para comemorações, foi o local preferido dos torcedores. Cerca de seis quarteirões ficaram repletos de brasileiros vibrando com o penta. Um trio elétrico animou ainda mais os torcedores.
O Sambódromo do Anhembi ganhou uma enorme bandeira verde e amarela de 600 metros de comprimento, confeccionado pela comunidade das escolas de samba de São Paulo. A bandeira foi colocada na passarela.
No Rio, cerca de dois mil torcedores fizeram a festa na rua Alzira Brandão, na Tijuca. Os torcedores do Alzirão, como é conhecido o local, saudaram o final da partida com gritos de “é campeãoâ€, dançando e cantando. Durante o jogo, a aflição tomou conta dos torcedores, o que não impediu que, durante o intervalo, quando a partida estava ainda 0 a 0, os torcedores comemorassem com samba, cerveja e uísque, oferecido por vendedores ambulantes.