Copa 2002

Ronaldo iguala marca de Pelé em copas e quebra vários tabus

Agência Folha
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Yokohama - Saiu dos pés dele, duas vezes. Foram os gols do título, do pentacampeonato, da redenção. Gols de Ronaldo, do “Fenômeno”, que elevaram o Brasil à condição de máxima potência do futebol depois de oito anos. Gols que para ele valem em dobro.

Em uma partida memorável, que dosou dramaticidade e festa, colocando frente a frente Brasil e Alemanha, as melhores seleções da história do esporte, prevaleceu a genialidade do craque, entra para a memória do futebol igualando-se a Pelé, ambos com 12 gols em Mundiais.

A Alemanha jamais vai esquecer esse dia. Ronaldo e o Brasil inteiro também não. Mais do que herói do título, artilheiro da primeira Copa do milênio, o Mundial de 2002 marca a ressurreição do seu futebol, que um dia já o elevou ao patamar de melhor do mundo em 1996 e 97.

Com um gol de oportunismo e outro de classe, ele calou os críticos e alforriou o descrédito que assolou o País após o fracasso nos últimos anos. Líder da do Brasil dos “erres” de Luiz Felipe Scolari, Ronaldo supera o trauma do fiasco de 1998, que terminou marcado por uma crise nervosa e pela derrota diante dos franceses na decisão.

O atacante ainda quebrou ontem tabus que perduravam desde os anos 80 com os dois gols de ontem na final da Copa do Mundo. Além dos feitos superados, Ronaldo simplesmente se igualou a Pelé em Copas, com 12 gols, como maior artilheiro do Brasil na história da competição futebolística mais importante do planeta.

Ronaldo se transformou no primeiro artilheiro de Mundial a deixar sua marca na decisão desde 1982, quando Paolo Rossi abriu o placar na vitória por 3 a 1 que levou a Itália ao tricampeonato mundial, justamente contra a tradicional Alemanha.

Naquele Mundial, Rossi ficou conhecido como “Carrasco de Sarriá” pelos três gols feitos no jogo da desclassificação da Seleção Brasileira, derrotada, por 3 a 2.

Ronaldo também alcançou a marca de oito gols na competição, superando o número do polonês Lato, em 1974, com sete. Agora o brasileiro é o segundo maior goleador desde 1970, quando o alemão Gerd Müller fez dez.

O astro da Inter de Milão deixou Jairzinho para trás e galgou o segundo posto entre os maiores artilheiros do Brasil em uma única Copa. Ademir de Menezes marcou nove vezes em 1950, na campanha do vice-campeonato.

Mas o ídolo da atualidade conquistou o título, o que não acontecia com um artilheiro da competição desde 1982, também com o italiano Paolo Rossi. Desde 82 que o atleta que anota mais gols no Mundial não atua na decisão. Não estavam em campo na decisão o inglês Gary Lineker em 86, Schillaci em 90, Salenko e Stoitchkov em 94 e Suker em 98.

Também graças a Ronaldo a seleção quebrou um jejum de duas finais de Copa sem balançar as redes. O Brasil ficou no zero no tempo normal e prorrogação contra a Itália, em 94, quando o tetra veio na disputa de pênaltis. Somente os franceses marcaram, três vezes, na decisão há quatro anos. Naquela ocasião, como Ronaldo ontem, Zidane marcou duas vezes.

As condições físicas de Ronaldo sempre levantaram dúvidas. Se recuperando da contusão no joelho, o jogador foi convocado por Luiz Felipe Scolari mesmo sem ser considerado titular pelo seu técnico na Inter. Scolari chegou a dizer que o astro não seria o “Fenômeno”, mas poderia brilhar mesmo com 50% de seu potencial.

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