Copa 2002

Seleção impecável nessa conquista

Agência Folha
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Yokohama - De forma impecável, a Seleção Brasileira conquistou seu quinto título mundial. Com a vitória de 2 a 0 sobre a Alemanha, ontem, em Yokohama, o Brasil repetiu um feito histórico de 1970: vencer todas as partidas. Além disso, pela primeira vez, a seleção foi campeã e teve o artilheiro da Copa do Mundo: Ronaldo, com oito gols.

O último goleador brasileiro nesta competição foi em 1950, no próprio Brasil, quando Ademir Menezes fez nove gols na campanha do vice-campeonato. Ronaldo ainda quebrou uma escrita na edição 2002: desde a Copa de 1978 nenhum artilheiro marcara mais que seis gols.

Com isso, os brasileiros só poderão perder a supremacia no futebol em 2010. Estão com dois títulos à frente da Itália e Alemanha, sede da competição em 2006. No primeiro encontro entre as duas maiores forças do futebol na história das copas, o Brasil confirmou a supremacia mostrada nos amistosos, quando venceu 11 dos 18 encontros.

Enquanto o time brasileiro iniciou a decisão com a formação ideal do técnico Luiz Felipe Scolari - Ronaldinho voltou de suspensão -, a equipe de Rudi Völler tinha a ausência de Ballack, que tomou o segundo cartão amarelo na semifinal diante da Coréia do Sul. Se por um lado os alemães perderam a criatividade do meia do Bayer Leverkusen, ganharam o reforço da aplicação tática de Jeremies, seu substituto.

E a Alemanha, com um time bastante compacto, forçou a marcação da saída de bola brasileira e praticamente anulou o trio de “erres” no primeiro tempo, principalmente Rivaldo. Com isso, as melhores chances do Brasil sobraram para o volante Kléberson, que tinha bastante espaço pela direita.

Das seis chances de gols brasileiras, o jogador do Atlético-PR participou de três. Aos sete minutos, apareceu sozinho pelo miolo da grande área, mas chutou fraco para fácil defesa do goleiro alemão. No lance mais perigoso, aos 44, Kléberson recebeu de Ronaldinho na entrada da área e mandou no travessão. Dois minutos antes, tentara, entre dois zagueiros, um chute rasteiro no canto esquerdo do gol alemão.

Sem reais chances de gol criadas, o time alemão priorizou sua principal jogada na Copa: a bola aérea. Mas o trio de zagueiros, comandada pela eficiente atuação de Roque Júnior, não permitiu muitos sustos a Marcos.

O grande destaque ofensivo do Mundial, o trio de “erres”, trabalhou pela primeira vez só aos 18. Ronaldinho, o melhor deles na etapa inicial, recebeu no centro da grande área. Rivaldo abriu pela esquerda, e Ronaldo, pela direita, foi lançado e tocou no canto direito.

Aos 29, Ronaldo sofreu falta. Enquanto reclamava de dores, tocou rápido para Ronaldinho, que o retribuiu na entrada da área. Na dividida com Linke, a bola sobrou para Kahn. O artilheiro da Copa ainda teve outra grande chance nos acréscimos: Roberto Carlos chutou forte da esquerda e, no rebote, Ronaldo escorou para defesa de Kahn com o joelho direito.

Na volta do intervalo, as duas equipes vieram sem modificações, mas a alemã entrou mais ligada. Em três minutos, perdeu duas chances. Jeremies completou escanteio, mas a bola explodiu na zaga brasileira. Aos quatro minutos, em cobrança de falta da intermediária, Neuville fez Marcos praticar boa defesa. A bola ainda resvalou na trave.

Com a partida relativamente controlada, os alemães sofreram revés de onde menos esperavam. Aos 23, após briga pela bola por Ronaldo, Rivaldo chutou da entrada da área. Kahn, considerado o melhor goleiro da Copa, numa bola fácil de ser defendida, deu rebote nos pés do atacante da Inter de Milão: 1 a 0.

Em desvantagem pela primeira vez nesta competição, a Alemanha teve de fazer o que não sabe: jogar toda no ataque. Mas num contragolpe mortal, a Seleção Brasileira definiu o placar. Aos 34 minutos, Kléberson novamente pela direita tocou para Rivaldo, que deixou a bola passar por entre as pernas e deixar Ronaldo fazer 2 a 0, num chute cruzado no canto esquerdo.

Alemanha: Kahn; Metzelder, Ramelow e Linke; Frings, Schneider, Jeremies (Asamoah), Hamann e Bode (Ziege); Klose (Bierhoff) e Neuville.

Brasil: Marcos; Lúcio, Roque Júnior e Edmílson; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho (Juninho) e Roberto Carlos; Ronaldo (Denílson) e Rivaldo. Árbitro: Pierluigi Collina (Itália)

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