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Famílias aprovam instalações da Febem

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A unidade da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), recém-inaugurada em Bauru, realizou ontem seu primeiro dia de visitas. Familiares ouvidos pelo Jornal da Cidade elogiaram as instalações e o tratamento prestado, mas muitos se queixaram da disciplina importa pela direção do local.

A unidade recebeu os primeiros internos no dia 20 de junho. Até o final da semana passada, havia 19 meninos na instituição. O prédio foi construído para abrigar até 72 menores e deverá restringir a internação a meninos com menos de 18 anos, não reincidentes e cuja infração é considerada leve.

“Aqui melhorou muito. Meu filho estava no Cadeião, junto com outros, e eles gostaram daqui. É tudo limpinho, eles comem bem, dormem bem, são bem tratados”, conta a doméstica desempregada M.C., 39 anos. Os nomes são preservados a pedido dos familiares.

“Meu filho passou um mês no Cadeião. Ele fala que está melhor aqui e dá para se ver. O atendimento, tem atividade para eles, tem escola - que é o principal -, tem campo de bola, muitas coisas”, reitera a dona de casa M.Q.S., 43 anos. Segundo ela, o filho, de 14 anos, é acusado de participar de um arrastão em Bauru e aguarda decisão judicial.

A jovem G.S.S., 19 anos, conta que estava visitando o irmão, de 17 anos, também acusado de participar do arrastão já mencionado. Apesar de insistir na afirmação de que o jovem foi preso por engano, elas confirmam as boas condições da Febem. “Antes aí, que no Cadeião. Lá, todo mundo usava a mesma coisa. Aí, cada um tem a sua roupa, seu sabonete, sua pasta de dentes”, explica.

Proximidade

A nova unidade beneficia, principalmente, familiares dos menores infratores que estavam internados em São Paulo. A diarista D.L., 36 anos, conta que ficou quase dois meses sem ver o filho, porque não tinha condições financeiras de ir visitá-lo na Capital. Ela ressaltou a importância para o filho de ter a família por perto e elogiou o tratamento recebido.

“Eles têm médico, dentista, tudo aí dentro. Em São Paulo, ele disse que estava estudando e aprendendo a fazer uns trabalhos. Agora, ele vai voltar a estudar aqui e vai aprender informática”, anima-se.

Apesar dos elogios, D.L. mostrou-se decepcionada por ter que voltar para casa sem o filho, de 16 anos, que ela diz, sem certeza, ter sido acusado de praticar um roubo. “A gente não volta para casa contente, mas eles estão sendo muito bem tratados, por funcionários especializados na lida com menores e num lugar todo arrumadinho”, conforma-se.

Disciplina é contestada

Apesar dos elogios referentes aos cuidados com o prédio, alguns familiares dizem que os menores estão reclamando das regras disciplinares impostas pela direção da Febem. Uma mãe, que não informa nome, nem iniciais e não quer falar do filho, mostra-se indignada.

“Isso aí é cheio de regras. Tem horário para tudo. Ele acha isso ruim, com certeza. Você não pode dormir durante o dia, tem que trabalhar o dia inteiro, tem que estar sempre ativo”, destaca.

O jovem P.M.L., 18 anos, que visitava o irmão de 16 anos, vindo da Capital, também comenta as normas. “Meu irmão falou que, num sentido, preferia ficar lá, porque aqui é ‘responsa’, não pode fumar, não pode fazer um monte de coisa que lá pode. Não pode fumar, por exemplo. Só dois cigarros por dia, um de manhã, outro à tarde. E não pode ficar com o cigarro no bolso”, informa.

Ainda assim, ele garante que o irmão gostou de ter voltado para Bauru e estar mais perto da família. Enquanto esteve em São Paulo, nos últimos 45 dias aproximadamente, o menor não recebeu visitas, porque a família não tinha dinheiro para viajar, segundo conta P.M.L.

As visitas à Febem podem ser feitas aos domingos, das 8h às 11h e das 14h às 17h. Cada interno tem direito de receber três visitas por vez, cujos nomes devem estar cadastrados na portaria. Os parentes podem levar chocolate, bolachas, balas e cigarros (caso o menor fume) e só entram após revista pessoal.

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