Funcionários da Secretaria Estadual da Saúde e do Ministério da Saúde estão em Bauru para orientar a Direção Regional de Saúde (DIR-10) a adotar as medidas adequadas na suspeita de contaminação por chumbo em Bauru pelo setor metalúrgico da Ajax, localizado na altura do km 112 da rodovia Bauru-Jaú.
Ontem, os técnicos reuniram-se com Márcia Simonetti, diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica da DIR. “Juntos, discutimos o atendimento que vêm sendo dispensado às pessoas com alta concentração de chumbo, na apuração se houve ou não contaminação e se há ou não outras fontes de exposição do metalâ€, explica.
Esta é a segunda vez que os técnicos vêm a Bauru desde a divulgação dos resultados dos primeiros exames de sangue de crianças que moram na região da Ajax, que mostraram alta concentração de chumbo, de acordo Márcia Simonetti.
Até agora, 212 crianças e uma gestante que moram no raio de um quilômetro da Ajax apresentaram mais de dez microgramas de chumbo por decilitro de sangue, limite tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Uma criança com 90 microgramas de chumbo por decilitro de sangue, a maior concentração constatada até agora, foi internada. De acordo com Márcia, outras 11 crianças devem ser internadas em breve.
Elas apresentaram alta concentração de chumbo no segundo exame de sangue ao qual foram submetidas. “Estamos decidindo pela internação, para tratamento medicamentoso visando reduzir o índice de chumbo no organismo,d as crianças que após o segundo exame estiverem com mais de 25 microgramas do metal por decilitro de sangue. Essa decisão também depende da avaliação neuropediatraâ€, explica.
Das crianças com maior concentração de chumbo no primeiro exame, 25 já foram submetidas à segunda análise. Dessas, 11 continuam com alta dosagem do metal no organismo e devem ser internadas em breve, revela Márcia Simonetti. Ela adianta que está aguardando o resultado do segundo exame de mais 12 crianças.
A alta concentração de chumbo no organismo pode causar uma doença chamada saturnismo que provoca alterações no sistema neurológico e pode levar à morte. Os órgãos de saúde aguardam, para os próximos dias, a divulgação dos resultados das análises de amostras de terra, água e sedimentos nas proximidades da Ajax que estão sendo feitos pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Entre os funcionários do Ministério da Saúde que estão em Bauru alguns trabalham na Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que vai fazer um estudo sobre o impacto ambiental da suspeita de contaminação por chumbo na cidade.
O procedimento consiste na execução de programas de trabalho com o objetivo de avaliar o risco da população a situações de contaminação por resíduos tóxicos. O coordenador geral de Vigilância Ambiental em Saúde do Centro Nacional de Epidemiologia da Funasa, Guilherme Franco Netto, disse ao JC, na semana passada, que espera que, a partir dos resultados, possam ser estabelecidas práticas de prevenção e de orientação sobre saúde e meio ambiente.