Esportes

Artigo - Conquista de gigantes


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Não precisam mais os brasileiros, de todos os quadrantes, inflar os sadios pulmões e entoar, a toda voz, o conhecido clássico “oi abram alas que eu quero passar”, que o inspirado cancioneiro nacional cantou, embelezando durante muito tempo suas emotivas cantigas polulares. Não necessita porque já conseguiu passar pela difícil seara por onde ansiava transitar ao menos uma vez na sua caminhada, que outra não era senão a conquista do campeonato mundial de futebol-2002. Já passou conforme a população inteira acaba de testemunhar, vendo sua homogênea seleção derrotar a congênere da Alemanha, que, conseqüentemente, foi inapelavelmente retirada de sua frente. Foi uma peleja difícil, reconheça-se, porquanto a equipe germânica, com os brios à flor da pele, estava desmedidamente disposta a arrebatar o honroso título, distanciando-o dos acalentados sonhos da comunidade brasileira. Mas, o que parecia penoso acabou se tornando plenamente exequível para nossos decididos rapazes, os quais lograram fazê-lo tão possível quanto a vitória a que as tropas das Nações Unidas impuseram às dos nazistas há 60 anos. Com efeito, os comandados do valente “general” Felipão se conduziram nos gramados nipônicos com a bravura dos congêres da Segunda Guerra Mundial, resultando daí o seu gigantesco triunfo na finalíssima, depois de ter passado incólume sobre os adversários anteriores. Haveriam categorias isoladamente elogiáveis, além da nossa, face a tão valiosíssima conquista? Sim, como os dedicados membros da CBF, o eficiente preparador técnico, juntamente com os 23 craques de primeira grandeza da emérita Seleção. Contudo, não somente estes, porque ao seu lado se destacaram também os abnegados profissionais dos nossos meios de comunicação - jornais, revistas, rádios, televisões etc. - e, igualmente, todos os demais brasileiros abrigados sob este céu bafejado pelos deuses, haja vista o entusiasmo frenético com que acompanharam o desenrolar do certame, gesto repetido por milhões de conterrâneos agasalhados em países amigos e, da mesma forma, outros milhões de estrangeiros que, lá de suas distâncias, amam-nos inegavelmente. Superamos o brioso adversário e, por isso, temos razões indiscutíveis para entoar vibrantemente o Hino Nacional e o da Bandeira e ostentar a belíssima camisa amarela, como o estamos fazendo de um a outro ponto cardeal do país, a título de impulso decisivo para a próxima Copa, a ser disputada, desta feita, exatamente nos estádios da gente cujo selecionado acabamos de derrotar. Passamos por ele uma vez e, certamente, não nos faltarão talento e coragem para o fazermos uma segunda, admita-se, pois vamos continuar nos tornando gigantes cada vez maiores. E viva o Brasil! (O autor, Nadyr Serra, é o jornalista responsável do JC e co-fundador da Associação dos Cronistas Esportivos de Bauru)

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