Em meio à conquista da copa do mundo de futebol, o Real comemorou 8 anos de seu lançamento. Criado a partir de uma engenharia bem elaborada, o Real foi criado com status de moeda forte. Ao longo dos anos essa característica foi sendo questionada, e, incorrendo nos erros de planos econômicos anteriores, o governo federal foi incapaz de implementar as etapas seguintes, necessárias para que a economia brasileira não se limitasse à mudança de moeda.
As tão famosas reformas não vieram e o que se observou foi a manutenção de um modelo econômico frágil, dependente do capital estrangeiro, com amarras internas, que vêm retardando um crescimento mais vigoroso da economia.
Se partirmos das principais metas de política macroeconômica, que são: estabilidade de preços, crescimento econômico, distribuição eqüitativa de renda e pleno emprego, é fácil constatar que pouca coisa foi conquistada.
O governo federal terá um grande número de argumentos para dizer que foram 8 anos de conquistas. Falará dos números da saúde, do crescimento das telefonias celular e fixa, do crescimento do tempo de permanência na escola, da queda no nível de repetência, enfim, buscará nas estatísticas indicadores que justifiquem o sacrifício que a sociedade brasileira teve que fazer para ficar, no máximo, com 25% das metas estabelecidas.
É muito pouco. Afinal, 8 anos não são 8 dias. Poucos governantes tiveram tanto tempo no poder, democraticamente, para introduzir no país um modelo desenvolvimentista. Por certo, o FHC de hoje não é o FHC senador. Cedeu demais. Tendo como pano de fundo a governabilidade, se rendeu ao jogo do poder, do toma-lá-dá-cá. Tem sido oportunista e, acima de tudo, não conseguiu virar efetivamente o jogo.
Os fundamentos econômicos têm certa consistência, mas não são suficientes para permitir tranqüilidade na sucessão presidencial (o efeito Lula é enfatizado diariamente no mercado via cotação do dólar).
A dívida interna cresceu 10 vezes nesses 8 anos. As tarifas que eram públicas, agora administradas, seguem modelo de reajuste equivocados, sem sintonia alguma com a renda da população.
A balança comercial busca recuperação, mas está distante dos bons superávits do passado, e mais que isso, consegue superávits à custa da diminuição da importação.
Enfim, passados 8 anos o resumo da história do Real (sem simplificar ao extremo) é: busca pela estabilidade, sem avanços na renda, crescimento e emprego.
Que aos menos esta conquista não seja desperdiçada no jogo da sucessão. (Reinaldo Cafeo é Delegado do Corecon, economista e professor na ITE. E-mail: cafeo@neobiz.com.br)