Bairros

Surge foco de favela na Pousada 1

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Um pequeno bolsão de miséria na divisa entre o Pousada da Esperança 1 e o Jardim Helena, às margens do córrego Pau D’Alho, pode vir a tornar-se a 20.ª favela de Bauru (veja as demais no quadro). São quatro casas improvisadas, feitas de madeira, e uma em construção.

Por estar nas proximidades de um córrego, acredita-se que as moradias estejam instaladas em área de preservação permanente, ocupando também parte de área verde. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), no entanto, não soube informar se a área é ou não de preservação.

O JC tentou, mas não conseguiu apurar a quem pertence o terreno ocupado, se é público ou privado. A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) comprometeu-se a descobrir o proprietário, mas ainda não tinha feito o levantamento.

Lucília Leônica Araújo, 29 anos, a única moradora do local que aceitou conversar com a reportagem, diz que é a mais nova integrante do local. Ela diz que há seis meses veio de Campinas com o marido e uma filha de 6 anos, Luana Alves David.

Em Campinas, trabalhavam recolhendo papelão com uma carroça. A decisão de vir para Bauru foi motivada pela busca por trabalho. “Eu esperava trabalhar em uma casa de família. Mas aqui está bom, pelo menos é sossegado”, expõe.

“Aqui são todos irmãos. Quando eu vim para cá, minha cunhada já estava aqui”, explica Lucília. Ela acrescenta que nos outros barracos moram dois casais, duas crianças e um dos irmãos solteiros.

Nas casas, não há energia elétrica. “À noite, é tudo à base de vela”, diz Lucília. As casas improvisadas também não dispõem de água. Os moradores instalaram uma mangueira numa mina próxima, que é responsável pelo abastecimento de todas as famílias.

Um buraco feito a alguns metros de distância do barraco serve como banheiro para os moradores.

A renda dos moradores do bolsão de pobreza é proveniente do depósito de entulho do bairro. Eles saem pela manhã para recolher materiais recicláveis em carroças e voltam no início da noite.

Nos arredores das casas, os restos de materiais trazidos do depósito de entulho, assim como as carroças, apontam para essa atividade do grupo. Seus integrantes providenciaram o cercamento das casas, cujo material - o arame - também é utilizado como varal para as roupas.

Apesar dos barracos estarem localizados na parte do Pousada da Esperança 1, os moradores têm acesso ao Jardim Helena por meio de uma pinguela colocada sobre o córrego.

Vizinhança

Um casal de idosos mora em uma casa de madeira ao lado da grande família instalada às margens do córrego. A área é cercada e há até mesmo uma horta. O aposentado Ernesto Redecopa, 75 anos, diz que antes morava no Jardim Santa Cecília e há poucos meses mudou-se para o terreno, que não sabe a quem pertence.

“Quando eu vim para cá, não tinha ninguém. Esse pessoal aqui ao lado mudou há uns três meses”, conta.

A dona de casa Zilda Gomes de Souza mora em uma casa no Pousada da Esperança 1, a poucos metros da comunidade vizinha que se instalou às margens do córrego.

Ela diz que notou uma movimentação diferente no local há cerca de quatro ou cinco meses. “O pessoal não incomoda, é excelente. A gente só vê passar gente. Parece que são todos parentes”, diz.

A titular da Seplan, Maria Helena Rigitano, informou que, como a Semma não tem serviço de fiscalização, cabe à Seplan essa função e tomar as medidas administrativas caso a ocupação seja irregular. Ela não sobe informar, no entanto, se trata-se de área pública.

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