O Sesc abre hoje, com a exibição do filme de Alfred Hitchcock, “Um Corpo que Caiâ€, uma série de cinco apresentações de grandes clássicos do cinema mundial. Até o fim do mês também serão apresentados: “O Encouraçado Potemkinâ€, de Sergei Eisenstein (dia 10); “Cidadão Kaneâ€, de Orson Welles (dia 17); “Amarcordâ€, de Federico Fellini, (dia 24) e “Tempos Modernosâ€, de Charles Chaplin (dia 31).
Segundo a assessoria do evento, o objetivo do Sesc é trazer ao público filmes essenciais, que se destacaram dos demais por suas inovações técnicas ou transgressões estéticas, e que influenciaram a maneira de fazer cinema.
O cinco filmes que serão apresentados toda quarta-feira de julho, foram escolhidos entre os dez melhores da história do cinema, de acordo com a Associação de Críticos dos Estados Unidos. Cada um deles traz em suas imagens a cultura e visão de mundo de seus autores, verdadeiros gênios do cinema que influenciaram (e ainda influenciam) as produções e as carreiras de cineastas em todo o mundo.
Obra-prima
O filme de hoje, o terceiro maior da história, segundo a entidade americana, foi feito em 1959 e é considerado a obra-prima de Hitchcock (embora não se possa afirmar isso com 100% de certeza já que todas os filmes do diretor são fantásticos).
Além do enredo original - um suspense que mistura toques policiais e sobrenaturais - Hitchcock criou efeitos técnicos surpreendentes nesse filme, como a sensação de vertigem sentida pelo protagonista (James Stewart), que embora seja de execução bastante simples, era uma técnica desconhecida até então.
Na verdade, o diretor criou a ilusão fazendo com que a câmera desse zoom ao mesmo tempo que sofria um recuo, ambas as ações ocorrendo coordenadamente. O efeito da cena, especialmente na tela grande do cinema, é de tirar o fôlego (apesar de hoje ser usado até em novelas da Globo).
Hitchcock ainda abusa de sua capacidade técnica ao modificar a iluminação de ambientes para reforçar sensações e ao usar imagens refletidas para cercar de mistério e realçar as personagens Judy e Madelaine (ambas vividas por Kim Novak).
Sinopse
Kim Novak é uma personagem que passa a agir estranhamente, obcecada pela vida de uma outra mulher que viveu no passado. Um detetive aposentado que sofre de acrofobia (medo de altura) é chamado pelo marido da misteriosa loira - um velho amigo seu que acredita em reencarnação - para acompanhar todos os passos da moça e desvendar as causas dessa macabra obsessão.
Nas mãos de um cineasta menos competente, esta trama estranha resultaria numa mistura indigesta, mas na direção de Hitchcock o filme tornou-se uma obra-prima que oferece diversas possibilidades de leitura a cada revisão.
O diretor
Conhecido como “o mestre do suspenseâ€, Hitchcock nasceu na Inglaterra, começou no cinema mudo e trabalhou em Londres até 1939, quando o produtor americano David O. Selznick lhe ofereceu US$ 800 mil para fazer cinco filmes nos Estados Unidos.
Versátil, Hitchcock realizou no novo país seus dramas de suspense, documentários de guerra para o governo, uma comédia (Um Casal do Barulho) e acabaria se estabelecendo em Hollywood.
Embora fosse aficionado pelas tramas criminais, Hitchcock tinha verdadeira fobia de policiais. Isso se devia a um trauma infantil, que ele sempre recordava em entrevistas: por causa de uma travessura, o pai havia pedido à polícia para prendê-lo por dez minutos na cela de uma delegacia.
Desde seus primeiros filmes, o cineasta criou um método de trabalho baseado no rigoroso planejamento de todas as cenas (ele era um ótimo desenhista). Outra de suas obsessões era a respeito do que chamava de “cinema puroâ€, uma série de conceitos de representação e narrativa que, segundo ele, só se aplicavam à linguagem cinematográfica e ajudavam a criar suspense.
“Festim Diabólico†(há quem acredite que este seja a sua verdadeira obra-prima) por exemplo, ficou célebre por ter apenas oito cortes, quase todos imperceptíveis, reforçando a ilusão de que toda a narrativa se desenrolava diante do espectador em tempo real. O elenco ensaiou exaustivamente para rodar os longos planos-seqüência.
Ainda que dissimulasse um certo desprezo pelos atores, que qualificava como “gadoâ€, tinha seus intérpretes favoritos. Trabalhou quatro vezes com Cary Grant, quatro com James Stewart, três com Ingrid Bergman e três com Grace Kelly - esta a mais famosa de suas loiras aparentemente glaciais, mas pulsantes de sensualidade. Hitchcock também ficou famoso por seu hábito de fazer pontas nos próprios filmes, aparecendo e saindo rapidamente de cena.
Serviço
“Um Corpo que Caiâ€, de Alfred Hitchcock, hoje, às 20h, na área de convivência do Sesc. Entrada gratuita. Vagas limitadas. Nas próximas quartas-feiras: “O Encouraçado Potemkinâ€, de Sergei Eisenstein (dia 10); “Cidadão Kaneâ€, de Orson Welles (dia 17); “Amarcordâ€, de Federico Fellini, (dia 24) e “Tempos Modernosâ€, de Charles Chaplin (dia 31). Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.