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População é chamada para a comunicação comunitária

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A população pode participar do processo de comunicação de sua comunidade, não como mero receptor de conteúdos, mas como emissor. Esta é a opinião da professora-doutora Cicília Maria Krohling Peruzzo, palestrante do 7.º Colóquio Internacional de Comunicação para o Desenvolvimento Regional que está sendo realizado no câmpus Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A comunicação horizontal, segundo ela, ocorre com a participação efetiva da população em todo o processo, através de suas organizações sociais. “As comunidades deveriam estar produzindo programas de rádio, fazendo televisão, desenvolvendo seus próprios jornais”, sustenta.

A participação ativa da comunidade na comunicação varia de país para país, de acordo com Cicília. “Cada país tem experiências diferenciadas. Rádios e TVs comunitárias se alastram por todos eles. No Brasil, em São Paulo, no Rio (de Janeiro) e em outros locais elas se instalam e atendem as necessidades daquela comunidade”, explica.

A sobrevivência desses veículos depende da população daquela comunidade. “Não exige grandes verbas uma vez que funcionam com um número reduzido de funcionários. Às vezes só um técnico e muitos voluntários que se dividem nas diversas tarefas. A arrecadação de recursos é a prestação de serviços, o apoio cultural e as festas”, conta.

A programação desses veículos só fica comprometida quando há o apoio político, ressalta a professora. “Admitir o apoio político pode interferir na programação. As experiências desse tipo mostraram que há um desvirtuamento de interesses”, ressalta.

Dois tipos de mídia

A especialista defende a comunicação comunitária como um instrumento para o desenvolvimento da cidadania. “Os grandes temas são importantes, mas existem assuntos de interesse local que devem ser mais debatidos”, diz Cicília.

Ela classifica a mídia em dois tipos. “A chamada mídia local, que abrange os veículos convencionais de comunicação que podem usar espaços para assuntos locais e têm interesse de mercado, e a comunicação comunitária. Essa é desenvolvida basicamente pelas organizações sociais e sem fins lucrativos. Essa vertente tem a finalidade de desenvolver a cidadania. Os dois tipos são válidos e cada um deles tem sua importância. O que parece ocorrer é que na comunicação comunitária há o envolvimento da população”, explica.

A comunicação comunitária não é uma linha de mídia recente, mas que está sendo retomada, de acordo com a professora-doutora. “A retomada acontece em nível mundial. Ao mesmo tempo que o processo de globalização é implacável, há uma grande busca para a questão comunitária. Um dos aspectos prioritários é a proximidade com o público-alvo”, diz.

Através deste tipo de comunicação, segundo Cicília, a comunidade vai discutir os assuntos de interesse dela mesma, o que diz respeito à vida cotidiana, aos aspectos culturais, econômicos e políticos.

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