Economia & Negócios

Pesquisa revela perfil do consumidor

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Ir ao supermercado sozinho e com uma lista de compras contendo o essencial é a melhor maneira de evitar gastos excessivos e desnecessários. A orientação é de economistas consultados pela reportagem com base em pesquisa realizada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP/SP). A pesquisa faz parte de um estudo sobre compra por impulso nos supermercados, que revela o perfil dos consumidores.

O levantamento mostrou que 40% dos entrevistados se lembram dos itens que precisam comprar quando os vêem nas prateleiras; cerca de 37% não preparam listas e compram mais que o necessário e somente 20% elaboram antecipadamente suas listas de compras. O economista Wagner Ismanhoto diz que algumas estratégias pessoais são importantes para quem precisa racionalizar os gastos na hora das compras, porque os supermercados, por sua vez, possuem estratégias mercadológicas e de marketing agressivas.

“Fazer uma lista antes de sair com base nos produtos essenciais que estão faltando em casa é uma forma de limitar a compra por impulso. Não levar os filhos, que sempre se rendem aos supérfluos, também é uma alternativa. Mas não é possível fazer isso sempre, portanto, é importante o consumidor ter consciência do que pode se permitir na hora das compras”, orienta Ismanhoto.

Outra opção é que uma terceira pessoa, como a empregada doméstica, vá fazer as compras com a lista previamente elaborada. Isso elimina o risco da “sedução” por produtos que não estavam previstos para serem adquiridos naquele momento, o que acaba descontrolando o orçamento.

O economista Said Yusuf Abu Lawi diz que, além da lista de compras, outra boa estratégia é a aquisição de produtos substitutivos. “O consumidor tem à sua disposição uma série de produtos de qualidade que podem substituir os mais caros, ou os chamados líderes de mercado. Aliar a utilização da lista de compras à prática de rejeitar produtos com preço majorado certamente será positivo para quem precisa controlar o orçamento”, observa.

O consumidor

A divulgadora Rosa Cristina do Lago Afonso, 31 anos, diz que quase sempre vai ao supermercado com a lista pronta. “Às vezes, ao passar pelas prateleiras, me lembro de algum item que eu não havia listado. Mas de uma forma geral, procuro seguir a lista. A diferença da compra com o uso da lista é bem perceptível. Quando eu não trago, acabo gastando em torno de R$ 30,00 a R$ 40,00 a mais”, afirma a consumidora, que concedeu entrevista à reportagem enquanto fazia compras em um supermercado de Bauru com a lista nas mãos.

O bancário Roberto Issao Muta, 47 anos, tem hábito de compras oposto ao de Rosa Cristina. Ele conta que nunca elabora lista e que só faz uma checagem na despensa da casa antes de sair.

“Eu nunca levo lista para o supermercado. Quando encontro algum produto em promoção, compro a mais e deixo estocado. Eu costumo fazer compras sozinho, mas quando trago as filhas a diferença na conta é grande. Chega a ser de R$ 100,00”, conta Muta.

Magali Pita Prado, 60 anos, também diz que a diferença no valor da conta do supermercado é notável entre quando ela está sozinha e quando está acompanhada por alguém da família.

“Para mim, não faz diferença ter ou não uma lista na mão para economizar. Eu sempre compro apenas o necessário e dificilmente levo para casa alguma coisa que não estava prevista para aquela compra”, diz.

A artista plástica Cláudia Sanches Bosco, 29 anos, também falou à reportagem enquanto fazia compras com uma lista de produtos essenciais. Ela conta que prefere ir ao supermercado sozinha.

“Às vezes eu compro produtos que não estavam na lista, mas geralmente é porque estão com preço bom ou porque eu só lembrei que precisava comprar quando vi na prateleira do supermercado. Quando trago meu filho e ele me pede coisas totalmente desnecessárias, eu não compro e ele entende direitinho. Já conversamos sobre isso”, relata Cláudia.

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