Cultura

Filme de ação à francesa

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Quem tem aquela idéia de que todo filme francês é paradão, cheio de diálogos e momentos de reflexão dos personagens, deve assistir ao impressionante “O Pacto dos Lobos”, que estreiou ontem em Bauru e está em exibição no Cine Center 2.

O filme dirigido por Christophe Gans (de “Crying Freeman”, aventura de artes marciais acima da média) tem 142 minutos de duração e é tudo, menos parado. Ao contrário, tem uma montagem alucinante.

A história - um épico aterrorizantemente divertido - se passa na França no século XVIII e tem algo de verídico quando fala sobre os ataques de uma besta selvagem a mulheres e crianças na região rural de Gévaudan, em 1764.

O monstro, de mandíbula gigante, aterroriza quem quer que se aventure a sair de casa, por isso o naturalista, aventureiro e jardineiro real Gregoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) é enviado pela corte para desvendar o mistério. Ele se faz acompanhar pelo calado Mani (Mark Dacascos), um índio moicano a quem trata como um irmão.

Durante três meses Fronsac pesquisa sem chegar a lugar algum, enquanto as mortes continuam e o inverno chega. Irritado com a falta de resultados, o rei envia seu chefe da guarda, que finge resolver o problema.

Mas como o mostro ainda está a solta, Thomas D’Apcher, o homem rico do local, pede à Fronsac e Mani que não desistam e os três saem juntos para uma última caçada.

Originalidade

“O Pacto dos Lobos” surpreende porque, além de filmes do seu tipo não serem comuns na cinematografia francesa, ele não bebe em nenhuma fonte descaradamente. Existem referências a “Tubarão” e “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, mas não se trata de um filme de aventuras básico, cheios de clichês, como os produzidos na América.

Os efeitos visuais, as coreografias de lutas e a montagem (de Sebastien Prangere e David Vu, parceiro tradicional de de John Woo) são de primeira, assim como o elenco internacional, que também conta com a belíssima Monica Belluci (de “Malena”) e Vincent Cassel (de “Rios Vermelhos”). Na França, o filme foi visto por mais de cinco milhões de pessoas.

História real

Pouco se sabe sobre a besta de Gévaudan fora da França. Mas o monstro, que tinha uma predileção especial por mulheres e crianças, realmente existiu e fez mais de cem vítimas entre 1764 e 1767, nas regiões rurais de Auvergne e Dorgogne. Tudo isto está registrado minuciosamente nos livros das prefeitura destes lugares, com horríveis relatos das testemunhas sobreviventes – todas idôneas, como padres, juízes e deputados.

Quando o terror se intensificou, as autoridades locais pediram ajuda à corte e o rei Luís XV se interessou pessoalmente pelo caso, mandando homens de seu exército e oferecendo recompensas para quem a capturasse.

Diversos métodos - de emboscadas e armadilhas ao uso de veneno - foram utilizados, mas tudo em vão. Em pelo menos quatro ocasiões, diferentes animais, como grandes lobos e hienas foram mortos, mas os ataques recomeçavam em seguida.

Em junho de 1767, a besta fez sua última vítima. O fim do terror coincidiu com a morte de uma grande criatura aparentando ser um lobo, mas não se pôde ter certeza se aquele era o monstro. Até hoje não há uma explicação definitiva sobre o que era a besta de Gévaudan.

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