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As soluções finais


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Em sua frustração diante da exasperante indefinição dos conflitos que atingem as nações, os políticos, de Washington a Jerusalém, de Nova Délhi a Karachi, de Paris a Amsterdã, estão sendo inexoravelmente levados por forças sob ou além de seu controle a exigir soluções finais. O primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, reclama uma “vitória decisiva” na disputa com o Paquistão que dura meio século. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, busca a destruição total de Yasser Arafat e da Autoridade Palestina. Os islâmicos radicais voltam-se a “guerras sagradas” para limpar o planeta dos infiéis. E o que é mais importante de tudo, o presidente George W. Bush dá o tom dos tempos.

O começo do novo milênio está marcado pelo surgimento de duas novas ideologias “totais” que competem entre elas: o fundamentalismo religioso e o capitalismo corporativo. Em sua feroz rejeição a toda outra crença e cultura, o fundamentalismo religioso é mais prontamente identificável como uma solução final que representa um beco sem saída, seja na forma de fanatismo islâmico quanto de cristão, judeu ou hindu. Alguém pode ser marrom, negro ou amarelo e continuar no jogo, mas não deve indefectivelmente abraçar a privatização do planeta ou, pelo contrário, sofrer as conseqüências. A tentação de sucumbir diante da ilusão das soluções absolutas tornam-se irresistíveis à medida que as divisões entre velhos adversários parecem tornar-se irreconciliáveis. As pendências implacáveis sempre dão lugar a gerações deformadas por um incessante estado de guerra. Como uma maldição, a animosidade entre pais é transmitida aos filhos e a situação destes faz com que o problema persista e nunca um se veja livre do outro. O desafio destes tempos é o de como resistir às “soluções finais”. Para enfrentar esse desafio, não serve acatar as contemporizações políticas sem esperanças do “centro”, mas abraçar uma verdade que inclua tanto uns quanto outros, nós e eles, em uma inquieta e imperfeita, mas indissolúvel, união.

A diferença entre as soluções finais e os acordos finais é fundamental. Toda solução final baseada na aniquilação ou na negação das necessidades legítimas do outro está destinada não só a fracassar mas, também, a fazer cair uma maldição sobre as duas partes durante gerações. Um acordo final, baseado na satisfação dos interesses de cada parte e em atingir um equilíbrio justo entre seus sacrifícios e benefícios, recompensa a ambas e a todos. A solução final de Adolf Hitler causou ruína à sua nação e ao mundo. Quando Bush anuncia um grande bis do triunfo sobre o fascismo em sua suposta guerra contra o terrorismo, revela um impulso absolutista próprio, já que a solução final que persegue está baseada na fatalmente arrogante presunção de ser dono exclusivo da retidão moral. (O autor, Mark Sommer, é escritor e colunista norte-americano)

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