Garça – Com a conclusão da terceira estação de tratamento de esgoto, prevista para agosto do próximo ano, Garça entrará no seleto grupo de municípios que trata 100% do esgoto. Hoje, poucas cidades da região contam com esse serviço básico de saneamento. Os administradores preferiram assumir a tarefa, sem ter que recorrer a concessão ou privatização.
Com as obras já em andamento, a terceira estação será responsável pelo tratamento do esgoto lançado atualmente no rio do Peixe. Por isso, foi batizada com esse nome. O rio do Peixe recebe hoje a metade dos oito mil metros cúbicos diários de esgoto produzidos pela cidade.
O restante era depositado no rio Tibiriçá. O despejo no local deixou de ser feito após a inauguração das duas primeiras estações de tratamento: Morada do Sol e Tibiriçá.
De acordo com as previsões feitas pela diretoria do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a estação Rio do Peixe deve consumir pouco mais de R$ 1 milhão. A obra foi orçada em R$ 1,6 milhão, mas como grande parte do serviço será executado com mão-de-obra própria, a despesa deve ser reduzida.
“Com isso (uso de mão-de-obra do Saae), eu acredito que haverá, no mínimo, uma redução de 30% em relação ao valor orçado. O que representaria uma economia de aproximadamente R$ 480 milâ€, calculou o diretor superintendente da autarquia, Cláudio Delicato.
Essa economia, segundo ele, pode ser utilizada para investimento em tecnologia. Assim, a parte mecânica da estação poderia ganhar um tempo de vida útil bem maior. “Além disso, com um equipamento mais sofisticado será possível aumentar o rendimento da estação e, de forma inversa, reduzir o consumo de energiaâ€, comentou Delicato.
Parte do investimento será custeada com verbas estaduais. O Fundo de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (Fehidro) aprovou o projeto e já anunciou que vai liberar R$ 300 mil para ajudar na construção da terceira estação de tratamento de Garça. O dinheiro deve chegar ainda este ano. O restante será custeado com recursos do próprio Saae.
Entre o estudo do projeto e sua aprovação passaram-se dois anos. Como a obra envolve também recursos do Fehidro, ela teve que passar pela análise do Comitê de Bacias. Na opinião do diretor da autarquia, essa burocracia, mesmo tendo atrasado o início das obras, teria sido importante. Como o projeto passou pelas mãos e o crivo de vários técnicos, o risco de falha teoricamente diminuiria.
A estação Rio do Peixe está com cerca de 30% da obra executada. As lagoas, três no total, já começaram a ser abertas e em uma delas foi descoberta uma enorme rocha, que terá de ser dinamitada.
Outro trabalho delicado será a construção de emissários sob a linha férrea da Ferroban. Ela está entre o ponto de lançamento de esgoto e a estação de tratamento. Por isso, a travessia terá de ser feita por debaixo da linha.
Esse serviço deve consumir R$ 200 mil do total orçado. Segundo Delicato, a Ferroban ficou quase oito meses analisando o projeto da travessia. Essa demora teria atrasado o andamento das obras.
Mesmo com todos os transtornos, o diretor do Saae acredita que a obra estará pronta em agosto de 2003.
Juntas, as três estações de tratamento terão condições de absorver 97% do esgoto produzido diariamente na cidade. Os 3% restantes será tratado por uma empresa local. Ela está construindo um poço profundo, denominado Deep Shaft, e irá trabalhar com o sistema de aeração.
Nesse sistema, o esgoto recebe uma grande carga de oxigênio e isso facilita o desenvolvimento de uma espécie de bactéria que consome quase toda a impureza presente na água, cerca de 95%.
Segundo Delicato, o poço deve entrar em operação nos próximos meses. A obra é resultado de uma parceria firmada em 1998, entre a iniciativa privada, Saae e governo do Estado, e será responsável pelo tratamento do esgoto de 350 residências.